Rearmamento da Alemanha causa preocupações na Europa

Entre as ressalvas, estão a possível competição com uma nova força na indústria armamentista, mudanças no equilíbrio de poder na Europa e uma possível "mudança de lado" caso o partido Alternativa para a Alemanha vença as eleições.

Segundo artigo do Wall Street Journal publicado na sexta-feira (18), algumas autoridades europeias temem que o planejado aumento do potencial militar da Alemanha possa alterar o equilíbrio de poder no continente.

Na publicação, esses receios também estão associados ao fortalecimento da posição do partido "Alternativa para a Alemanha", atualmente em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, e que caso chegasse ao poder não compartilharia da mesma posição agressiva contra a Rússia

O jornal americano observa que a estrutura de aquisições militares da Alemanha também é um ponto de atenção para outros países europeus. Segundo o jornal, uma parcela significativa dos contratos de defesa envolve apenas fabricantes da própria Alemanha e portanto não beneficiaria economicamente o resto da Europa.

De acordo com o Instituto Kiel para a Economia Mundial, no ano passado, o governo alemão firmou contratos de defesa cujo volume foi mais de três vezes superior ao dos contratos militares do Reino Unido. Mas quase dois terços dos gastos militares alemães em 2025 foram para companhias do país e cerca de 30% para produção doméstica de sistemas majoritariamente americanos, sobrando muito pouco para os aliados europeus.

O ex-secretário-geral adjunto da OTAN Camille Grand pondera que parte das queixas é exagerada, já que a Alemanha apenas recupera o atraso histórico em gastos de defesa, mas reconhece: "a Alemanha quer reivindicar liderança; nem sempre se esforça para manter seus parceiros satisfeitos."

Para a pesquisadora Liana Fix, do Council on Foreign Relations, Berlim poderia atenuar as desconfianças vinculando seu rearmamento mais estreitamente à Europa, com aquisições conjuntas e integração industrial — mas fez o oposto ao abandonar projetos bilionários com França e Holanda.

Lukash Yassinsky, especialista do Instituto Polonês de Relações Internacionais, afirmou que o fortalecimento do potencial militar da Alemanha afetará os países vizinhos, a União Europeia e as relações transatlânticas. Por sua vez, a analista Journalist manifestou que a França também teria reservas em relação ao possível fortalecimento da posição da Alemanha na indústria de defesa europeia.