Notícias

Europa mais agressiva: chefão da OTAN anuncia transformação mais significativa de 'toda uma geração'

O secretário-geral da Aliança afirmou que o bloco atravessa uma fase de mudanças estruturais, impulsionada pelo reforço das capacidades militares europeias.
Europa mais agressiva: chefão da OTAN anuncia transformação mais significativa de 'toda uma geração'Gettyimages.ru / Andrey Pungovschy

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou nesta quarta-feira (17) que a aliança militar está imersa na "transformação mais significativa de toda uma geração", referindo-se à transição para a OTAN 3.0.

Durante conferência realizada na Fundação Ditchley, no Reino Unido, Rutte declarou que esse processo "não é um reinício", mas sim um "reequilíbrio" da segurança coletiva baseado em uma Europa mais forte e dentro de uma OTAN mais robusta.

Ele afirma que o objetivo é adaptar a Aliança aos novos desafios estratégicos e reforçar sua capacidade de dissuasão.

O chefe da aliança instou os países-membros a aumentar os investimentos em defesa e a converter esses recursos em capacidades militares integradas, defendendo que a OTAN deve se tornar "o motor dessa mudança", por meio da coordenação de investimentos nacionais, da integração de forças e do desenvolvimento de planos conjuntos que reforcem a capacidade de dissuasão coletiva.

Militarização da Europa diante da suposta "ameaça russa"

A Europa está envolvida em um processo de militarização. A Alemanha estima que precisará de quase 12 bilhões de euros para construir um novo arsenal de mísseis capaz de atingir alvos russos a centenas ou até milhares de quilômetros do front, segundo documentos internos do Ministério da Defesa citados pelo Politico.

Além disso, Estocolmo propôs integrar os sistemas de defesa aérea dos países nórdicos e bálticos em um sistema único de vários níveis para se proteger contra mísseis balísticos e de cruzeiro, bem como contra veículos aéreos não tripulados.

Os países da região estão revisando ativamente sua postura nuclear. A Finlândia aprovou recentemente uma lei de energia nuclear que permitirá a importação e o posicionamento de armas atômicas em seu território.

Tudo isso ocorre enquanto a Europa continua apresentando a Rússia como uma suposta "ameaça". Por sua vez, Moscou afirmou repetidamente que não planeja atacar a Europa.

O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou que as elites governantes europeias estão tomadas pela histeria de que "a guerra com os russos está ao virar da esquina". "É impossível acreditar nisso, embora tentem convencer a sua própria população", acrescentou.

Além disso, o presidente indicou que a atual crise ucraniana é uma consequência direta de o Ocidente ter ignorado, durante anos, os interesses legítimos de segurança de Moscou, bem como de sua estratégia de criar ameaças para o país euroasiático mediante o avanço do bloco da OTAN em direção às fronteiras russas.

Por sua vez, o chanceler russo, Sergey Lavrov, denunciou que as declarações dos líderes ocidentais demonstram que eles estão se preparando "seriamente" para uma guerra contra a Rússia. O objetivo de infligir uma derrota estratégica a Moscou permanece presente nas mentes e nos planos dos líderes europeus, afirmou.