
Estratégia do Ocidente leva Ucrânia ao colapso militar e econômico, aponta jornalista britânico

A estratégia que o Ocidente adotou desde o início do conflito ucraniano está levando a Ucrânia à pior situação possível. A afirmação é do jornalista britânico Owen Matthews, publicada em artigo no jornal The Spectator na segunda-feira (7).

Segundo ele, em meio a conversas e uma visão otimista americana do fim do conflito, a realidade no terreno e nos bastidores políticos se mostra muito mais sombria, com Kiev à beira de um colapso financeiro e militar.
O jornalista citou a viagem dos enviados americanos, Steven Witkoff e Jared Kushner, no último sábado (5) como "um pequeno passo rumo à paz", afirmando que o encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, deixou claro que a Rússia não desistirá de seus objetivos.
Relembre: objetivos russos no conflito ucraniano
Vladimir Putin declarou repetidamente que a Rússia está comprometida com uma solução diplomática para a crise ucraniana.
O presidente russo ressaltou, em particular, que é necessário garantir, em primeiro lugar, a segurança da Rússia a longo prazo. Para isso, segundo ele, é fundamental eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
A proposta russa prevê ainda a retirada das tropas do regime de Kiev das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e das províncias de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após referendos realizados em 2022. Moscou também defende o reconhecimento desses territórios, assim como da Crimeia e de Sebastopol, como partes da Federação da Rússia.
Entre as condições apresentadas pela Rússia estão ainda a neutralidade da Ucrânia, o não alinhamento a blocos ocidentais, a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação do país.
Promessas vazias e estratégia fracassada
A estratégia ocidental de insistir na ideia ilusória de que incentivar a Ucrânia a lutar indefinidamente levaria, por si só, a uma vitória milagrosa é um erro mais grave que causou o fracasso ucraniano, destacou o jornalista, criticando a decisão de não abrir um canal diplomático sério com o Kremlin desde o início do conflito.
"Em resumo, as repetidas promessas dos líderes ocidentais, no início da guerra, de dar à Ucrânia 'tudo o que for necessário' por 'todo o tempo que for preciso' (Joe Biden, em junho e novembro de 2022), foram fundamentalmente enganosas", afirmou.
Ele também destacou que o temor de uma escalada e a priorização da defesa própria impediram os europeus de fornecer armas ofensivas de longo alcance.
Ucrânia à beira do abismo
Para a Ucrânia, o jornalista aponta para o cenário desesperador. O país enfrenta um tríplice crise: falta de mísseis,escassez de soldados e um buraco financeiro de US$ 30 bilhões no orçamento de defesa para 2026. Ao mesmo tempo, a corrupção sistêmica corrói a confiança interna.
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Enquanto isso, a Rússia intensifica sua produção de armas, com novos drones e mísseis de cruzeiro, e a defesa aérea ucraniana se mostra cada vez mais ineficaz.


