
EUA e China negociam corte de tarifas sobre US$ 30 bilhões antes de encontro entre Trump e Xi

Estados Unidos e China discutem um acordo para que cada país reduza tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 154,3 bilhões) em produtos, como parte de um pacote comercial que pode ser anunciado durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington. A informação foi publicada pela Reuters nesta sexta-feira (18).

Entre as medidas em discussão está a redução ou eliminação da tarifa chinesa de 15% sobre o gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos. Pequim impôs a taxa em fevereiro de 2025, em resposta às tarifas adotadas pelo presidente Donald Trump sobre produtos chineses.
A medida praticamente interrompeu o comércio de GNL entre os dois países, com as últimas cargas significativas chegando à China no início de 2025.
As conversas fazem parte dos esforços para estabilizar as relações comerciais antes do encontro entre Trump e Xi, previsto para 24 de setembro. O pacote em negociação também inclui possíveis acordos nos setores de energia e agricultura, e ainda não foi concluído.
Comércio de GNL
As exportações americanas de GNL para a China caíram de 64 navios, em 2024, para praticamente zero, em 2025, após a imposição de tarifas, segundo dados do governo dos Estados Unidos.
Nos últimos meses, porém, algumas cargas que partiram de terminais americanos no Golfo chegaram à China ou seguiram em direção aos EUA, segundo dados de transporte marítimo da LSEG citados pela Reuters. O movimento indica a retomada de compras mesmo com a tarifa ainda em vigor.
A China é o maior importador mundial de GNL, enquanto os Estados Unidos são o maior exportador. Em 2021, o comércio entre os dois países chegou ao recorde de 131 embarcações.
Expansão americana
Os produtores americanos também buscam novos mercados em meio à expansão da capacidade de exportação de GNL. A oferta dos Estados Unidos deve crescer cerca de 10 bilhões de pés cúbicos por dia até 2027, à medida que novas instalações e ampliações entram em operação.
Dos quase 100 milhões de toneladas métricas de capacidade de GNL atualmente em construção nos Estados Unidos, 24,5 milhões ainda não têm contratos com clientes de longo prazo, segundo estimativas do setor e análise da Reuters.
A retomada das compras chinesas poderia abrir outro grande destino para o gás americano em um momento de expansão da oferta e de mudanças nos fluxos globais de energia.

