
Às vésperas da eleição, governo Lula prepara MP para proibir jogo online e restringir bets — UOL

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avança na elaboração de uma medida provisória (MP) que pode proibir, de forma abrangente, as apostas esportivas e os jogos online no Brasil.
De acordo com reportagem publicada pelo UOL nesta quarta-feira (16), o texto ainda está sendo redigido e não foi formalizado. A medida, porém, é tratada dentro do governo como uma iniciativa de alcance amplo, próxima da extinção dos jogos online no país.
Futebol calcula perda bilionária
Ainda de acordo com a reportagem do portal UOL, a possível proibição já mobiliza o meio esportivo. Clubes de futebol começaram a se movimentar contra a proposta e estimam que o setor pode perder cerca de R$ 1 bilhão em patrocínios caso a proibição seja adiante. Entre as agremiações com contratos milionários no setor estão Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo — clubes que possuem acordos anuais superiores a R$ 100 milhões com empresas de apostas.
As casas de apostas também se articulam diante do risco de banimento. As operadoras avaliam recorrer à Justiça caso a proibição avance, e já tentaram, sem sucesso, abrir um canal de diálogo com o governo federal.
Lula compara apostas a "doença"

A sinalização de uma medida de maior alcance ganhou força depois que o presidente intensificou o discurso contra o setor. No início da semana, Lula afirmou que decisões sobre o tema seriam anunciadas em breve e classificou o vício em apostas como um problema de saúde, e não de entretenimento. "É uma doença, não é um jogo. É a indução de inocentes a um vício", disse o presidente, ao mencionar relatos de famílias afetadas pelas plataformas.
Até então, segundo o UOL, clubes e empresas do setor trabalhavam com a expectativa de medidas mais brandas, como limites para cassinos on-line e novas regras de publicidade — incluindo horários e locais permitidos para a exposição de marcas de apostas.
O tom mais recente adotado pelo Planalto, no entanto, aponta para uma restrição de escopo bem maior, capaz de atingir a arrecadação do setor e o modelo que sustenta boa parte dos patrocínios esportivos no país.
