
Rússia adverte países da OTAN contra 'intensos preparativos militares' próximos à fronteira norte

Os países da OTAN estão realizando intensos preparativos militares nas proximidades das fronteiras do norte da Rússia, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (9).

A porta-voz denunciou que "devido aos esforços dos países-membros da Aliança do Atlântico Norte, o Extremo Norte tornou-se, infelizmente, uma área de confronto geopolítico, incluindo confronto geopolítico com o nosso país".
"A OTAN está tomando medidas para alcançar a superioridade militar na região do Ártico. Estão em curso intensos preparativos militares perto das nossas fronteiras setentrionais", declarou, destacando que "estão sendo realizados exercícios militares de grande escala e de natureza agressiva, e surgindo novos elementos na estrutura de comando e estado-maior do bloco".
Segundo Zakharova, é "uma medida de dissuasão limitada em preparação para um possível confronto prolongado e de alta intensidade" com a Rússia. "E tal atividade no Extremo Norte, obviamente, cria ameaças diretas à segurança", denunciou ela.
A porta-voz destacou que a Rússia "está preparada para empregar todo o espectro de meios técnicos e militares para conter e eliminar quaisquer ameaças emergentes".
Zakharova ainda afirmou que Moscou "permanece aberta ao diálogo e a uma análise substancial das questões de segurança com todos os países que, como a Rússia, aspiram a preservar a paz e a estabilidade, reduzir o nível de tensão e garantir o desenvolvimento progressivo do Ártico".
Ela destacou que a mesma abordagem é compartilhada por China e Índia, que "geralmente concordam com nossas avaliações e entendem o que está causando toda essa turbulência geopolítica". "De acordo com sua própria experiência histórica, um país era uma semicolônia e o outro uma colônia. Eles entendem e conhecem o valor da independência, da liberdade e da soberania", declarou.
"Zelo inadequado" de líderes ocidentais
Zakharova recomendou que a opinião pública ocidental preste atenção ao "zelo inadequado de seus próprios líderes políticos que promovem ideias de confronto armado, às vezes com a Rússia e às vezes com outros", e que adotem "uma postura cívica responsável para impedir a concretização dessas intenções agressivas, que poderiam provocar um confronto armado com consequências potencialmente catastróficas para a Europa Ocidental".
Segundo ela, "a maioria mundial observa a minoria ocidental com horror e repulsa, porque a minoria ocidental tentou durante séculos demonstrar à maioria mundial que era excepcional, que somente ela poderia desempenhar o papel de líder no espaço mundial, na comunidade internacional."
"Com cabeça para baixo"
"Diplomaticamente, eles se contêm, tentam não demonstrar isso em público, mantendo uma atitude respeitosa. Mas garanto que, nos bastidores, durante conversas a portas fechadas, eles riem do que o Ocidente se tornou", enfatizou.
Zakharova explicou que eles se tornaram "elementos destrutivos que, em essência, podem ser descritos com uma única palavra: obcecados". "Obcecados, com a cabeça nas nuvens por questões como gêneros múltiplos, uma identidade de gênero que parece não ter fim, e por discursos sobre como o mais importante são os direitos humanos, embora eles próprios nunca os tenham respeitado e não os respeitem agora", declarou.
"Foram os países ocidentais que, ao se entregarem ao seu próprio orgulho, vaidade e ódio pela humanidade, se levaram a este nível monstruoso, ao declínio da Europa, ou à morte, como muitos dizem, ao desaparecimento, é tudo a mesma coisa. Exatamente a esse nível que estamos vendo", resumiu a porta-voz.
A suposta "ameaça russa"
- Atualmente, os países-membros da OTAN estão se rearmando e investindo recursos em defesa sob o pretexto da suposta "ameaça russa". No entanto, a Rússia rejeita categoricamente essa narrativa difundida por líderes europeus.
- Em junho, o presidente Vladimir Putin classificou como "provocação deliberada" os rumores sobre um hipotético ataque russo à Aliança Atlântica. "Que sentido faria para nós atacar a Europa e entrar em guerra com a OTAN?", questionou o presidente.
- Já em 2025, o presidente russo havia denunciado a histeria das elites ocidentais: "Eles repetem essa bobagem, esse mantra, várias e várias vezes (...) É impossível acreditar nisso, embora tentem convencer sua própria população".


