A NASA lança neste domingo (30) o telescópio espacial Nancy Grace Roman, equipamento de próxima geração projetado para desvendar mistérios fundamentais do universo, como energia escura, matéria escura e exoplanetas. No centro do projeto, uma tecnologia brasileira desempenha um papel fundamental.
Pesquisadores brasileiros do Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) desenvolveram o sistema de IA Arandu, segundo informações divulgadas no jornal O Globo.
O nome, que significa "sabedoria" em tupi-guarani, se reflete na finalidade do recurso, que analisará o material obtido pelo telescópio e classificará fenômenos para sinalizar focos de interesse para o trabalho dos astrônomos.
"O Roman produzirá um volume de dados que torna inviável examinar cada detecção manualmente", explica Clécio Roque De Bom, professor do CBPF e coordenador científico do LAB-IA.
Expandindo a visão
O observatório combina uma câmera infravermelha de 300 megapixels com campo de visão cem vezes maior que o do Hubble, permitindo capturar imagens amplas e de alta definição.
Batizado em homenagem à primeira astrônoma-chefe da NASA, o Nancy Grace Roman viajará até o segundo ponto de Lagrange Sol-Terra, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, onde também opera o James Webb.
"Qualquer lugar que você aponte o Roman, alguém vai poder dizer 'eu descobri algo'. O Roman vai tocar ou afetar quase todas as áreas da astrofísica", afirma o cosmologista Jason Rhodes, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, à imprensa especializada americana.
Na busca por exoplanetas (fora do nosso sistema solar), o telescópico utilizará a técnica de trânsitos — detectando quedas periódicas no brilho estelar quando planetas passam à frente de suas estrelas — e a técnica de microlente gravitacional — que identifica distorções na luz por campos de gravidade — revelando como nosso sistema solar se compara a outros no bulbo da Via Láctea.
A missão, coordenada pelo argentino Lucas Paganini, prevê vida útil inicial de cinco anos, com objetivo de operar por uma década, e as primeiras imagens devem ser divulgadas no início de 2027.