Apesar dos esforços da China para aumentar a produção doméstica de alimentos e reduzir as importações, o país asiático deve continuar ampliando as compras de produtos brasileiros, declarou na quinta-feira (27) o ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e membro do Conselho de Administração da Minerva Foods, Marcos Troyjo, durante evento em Barretos (SP), citado pela imprensa.
"Em minha avaliação, a China deve importar menos alimentos da Europa, dos Estados Unidos, da Austrália, da Nova Zelândia mas, curiosamente, vai comprar mais alimentos do Brasil", destacou, acrescentando que os chineses "escolherão ser mais interdependentes com o Brasil".
O executivo brincou ainda ao comparar a América do Sul a um "vale da carne" e o Brasil a "Palo Alto", em uma referência ao Vale do Silício, nos Estados Unidos.
Exportações brasileiras para China
A China é o principal destino da carne bovina brasileira. Em 2025, o mercado chinês respondeu por quase metade do volume exportado pelo Brasil, com cerca de 1,68 milhão de toneladas enviadas ao país asiático.
Em geral, as exportações brasileiras para a China atingiram um novo recorde histórico no primeiro semestre de 2026. As vendas ao país asiático somaram US$ 58,3 bilhões (R$ 296,6 bilhões) entre janeiro e junho. Trata-se de uma alta de 22% em relação ao mesmo período de 2025 e o maior valor já registrado para um primeiro semestre da série histórica, de acordo com informe divulgado recentemente pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
O desempenho consolidou a China como o principal parceiro comercial do Brasil. O avanço das exportações foi sustentado principalmente pela soja, pelo petróleo e pelo minério de ferro, que juntos representaram 76,5% das vendas brasileiras para a China.