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Tensão entre Israel e Turquia aumenta após Netanyahu ordenar ataques contra base na Síria

Por enquanto, ambos os países evitaram um confronto militar direto.
Tensão entre Israel e Turquia aumenta após Netanyahu ordenar ataques contra base na SíriaGettyimages.ru / David Silverman

As tensões entre Israel e Turquia aumentaram depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou ataques aéreos contra a base militar de Abu al-Duhur, na província síria de Idlib, perto da fronteira com a Turquia.

Oito ataques foram lançados contra a instalação na terça-feira (18), em uma operação que Netanyahu apresentou como um aviso direto a Ancara contra uma possível expansão de sua presença militar na Síria.

O gabinete do primeiro-ministro israelense afirmou que Israel e a Síria haviam concordado em manter o status quo de segurança e acusou Damasco de estar prestes a violá-lo ao permitir o envio de tropas turcas para a base, localizada perto de Aleppo.

Netanyahu afirmou que Israel não permitiria uma base militar turca na Síria que avançasse para o sul e representasse uma ameaça ao território israelense. "A mensagem foi transmitida, mas aparentemente eles não a ouviram, então garantimos que a entendessem com mais clareza", ironizou.

A operação também provocou uma reação incomum de Washington. Os Estados Unidos expressaram "profunda preocupação" com o que chamaram de "escalada desnecessária" por parte de Israel.

Sem aviso prévio

A falta de aviso prévio à Turquia aumentou particularmente o risco de um incidente militar, já que as aeronaves israelenses apareceram no radar de defesa aérea turco ao se aproximarem da fronteira.

O enviado especial dos EUA para a Síria e o Iraque e embaixador na Turquia, Tom Barrack, observou que as Forças Armadas turcas detectaram as aeronaves israelenses enquanto elas se dirigiam para o norte, em direção ao território turco. Segundo Barrack, Ancara poderia razoavelmente ter interpretado o movimento como uma ameaça e preparado uma resposta militar.

O temor de um confronto direto entre Israel e Turquia é intensificado por um precedente estabelecido em 2015, quando a Turquia abateu um Su-24 russo após Ancara alegar que este havia violado seu espaço aéreo durante operações na Síria. O incidente desencadeou uma grave crise entre Moscou e Ancara e demonstrou os riscos da operação de aeronaves militares em uma área onde diferentes forças convergem.

"Estratégia política de baixo nível"

O presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, respondeu até agora com relativa moderação. Seu gabinete rejeitou as acusações israelenses de um suposto reforço militar turco na Síria e acusou o líder israelense de seguir uma política expansionista e desestabilizadora na região, vinculando-a também ao contexto eleitoral israelense.

"A tentativa do governo Netanyahu de retratar a Turquia como uma nova ameaça também faz parte dessa estratégia política de baixo nível. Essa política de ameaças e o esforço para exacerbar as tensões em nome da competição política interna representam sérios riscos não apenas para a sociedade israelense, mas também para a paz e a estabilidade regional e global", alertou Ancara.

"A Turquia continuará, como sempre fez, a se opor ao opressor e apoiar o oprimido, e a defender resolutamente a paz, a justiça e a estabilidade em nossa região, custe o que custar", afirmou.