
Aliados dos EUA na Ásia buscam novas opções de defesa em meio a dúvidas sobre Washington

A decisão da administração de Donald Trump de reduzir os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul acendeu um alerta entre os aliados dos Estados Unidos na Ásia, informou o jornal Politico na quarta-feira (19).

A medida, que impacta a cooperação de segurança na região, ocorre em um momento de readequação das prioridades de Washington, que também enviou um de seus porta-aviões para o Oriente Médio em meio ao conflito com o Irã.
Segundo informações de diplomatas e especialistas, a redução de uma semana nas manobras conjuntas foi feita sem aviso prévio ao governo sul-coreano. O cenário de incerteza é agravado pelo desejo do presidente Trump de se reunir com Kim Jong Un, antes do fim do ano.
Autossuficiência militar e oportunidades para China
Diante da instabilidade, países asiáticos começam a planejar uma maior autossuficiência militar. A Coreia do Sul visa ampliar laços com o Japão, além de países do Golfo e da África para diversificar suas parcerias.
Em paralelo, outros governos da região estudam o reforço de sistemas de defesa aérea e a proteção de instalações militares, além de estreitar a cooperação com a Austrália e países europeus.
Japão e Filipinas já firmaram acordos para fortalecer suas cadeias de suprimentos militares, enquanto Índia e Vietnã avançam na coprodução de armamentos. Em um cenário mais extremo, o debate sobre o desenvolvimento de arsenais nucleares pela Coreia do Sul e Japão voltou a ganhar força entre analistas.
Segundo especialistas, a política de Washington pode acabar facilitando o avanço da influência de Pequim na região. A China, que visa reduzir o peso de Washington sobre seus aliados asiáticos, pode encontrar terreno fértil para expandir sua atuação à medida que os países vizinhos buscam alternativas para diminuir a dependência da proteção norte-americana.

