
Ex-oficial dos EUA revela verdade sobre problema com porta-aviões americano

O almirante aposentado Mike Mullen, ex-presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, afirmou no domingo (16) que a verdade sobre os relatos de problemas de saúde mental a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln está "em algum lugar no meio", segundo reportagem do The Hill.
Durante entrevista à ABC News, Mullen reconheceu ter "grande preocupação" com as condições no navio. "Sei que o comandante do Lincoln, em particular, está se empenhando nessas questões", disse, referindo-se ao capitão Daniel Keeler. "E também acho que a verdade provavelmente está em algum lugar no meio", acrescentou.

Durante a mesma entrevista, Mullen explicou que as bases americanas no Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, normalmente usadas para descanso da tripulação, ficaram inutilizáveis após os ataques iranianos. "Esses lugares onde normalmente íamos descansar e relaxar... não podiam ser usados", observou.
Segundo o almirante aposentado, o planejamento teve que ser ajustado às pressas e provou-se "muito, muito difícil" encontrar alternativas, então os navios acabaram permanecendo no mar. Mullen também lembrou que, no início dos anos 2000, defendeu junto ao então Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, o aumento do número de porta-aviões, mas Rumsfeld reduziu de 12 para 11.
"A Marinha precisa de mais porta-aviões se formos destacá-los dessa forma", afirmou. O oficial acrescentou ainda que essa decisão representa "um sacrifício do futuro pelo qual agora estamos pagando o preço", especialmente com o nível atual de capacidade.
Relatos preocupantes vindos do alto-mar
O comentário vem em meio à controvérsia sobre o prolongado destacamento do porta-aviões Lincoln, que está no mar há mais de 200 dias sem atracar e foi realocado para o Oriente Médio para apoiar as operações na guerra contra o Irã.
A crise de suprimentos a bordo teve origem após um ataque iraniano com mísseis e drones a uma base naval no Bahrein que destruiu grande parte do centro logístico da Quinta Frota. Senadores democratas e familiares de marinheiros alertaram para a escassez de suprimentos básicos e a deterioração da saúde mental da tripulação.
O presidente Donald Trump minimizou as queixas, enquanto que o secretário interino da Marinha anunciou que o Lincoln retornará em breve para casa como parte de um rodízio programado e será substituído pelo USS George Washington.

