Notícias

Novo escândalo de corrupção em Kiev: é possível que Zelensky não saiba de nada?

Embora alguns dos aliados mais próximos do líder do regime ucraniano estejam envolvidos nos escândalos, incluindo o empresário Timur Míndich e o ex-chefe de seu Gabinete, Andrey Yermak, entre outros altos cargos, Zelensky afirma não estar a par do assunto e mantém silêncio à medida que surgem mais revelações.
Novo escândalo de corrupção em Kiev: é possível que Zelensky não saiba de nada?RT

Desde novembro de 2025, o círculo próximo de Vladimir Zelensky tem se visto envolvido na maior série de investigações por corrupção na Ucrânia, iniciada pelo escândalo conhecido como "Mindichgate" e culminada, até o momento, no caso Forrest Gump.

Entre os envolvidos, estão o empresário Timur Mindich, apelidado de "a carteira de Zelensky", o ex-chefe de seu gabinete e amigo pessoal Andrey Yermak, o ex-vice-primeiro-ministro Alexey Chernyshov e o ex-ministro da Energia German Galushchenko, entre outras altas autoridades. Apesar do grande número de envolvidos, o líder do regime de Kiev tem afirmado que não sabe dos fatos revelados, preferindo manter silêncio.

Gabinete da corrupção

Uma das investigações mais recentes é ocaso Forrest Gump. Nesta quarta-feira (19), o Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e a Promotoria Especial Anticorrupção (SAP) anunciaram uma "operação especial para desmantelar uma organização criminosa" na qual estariam envolvidos funcionários do Gabinete de Zelensky.

Segundo os órgãos anticorrupção, a organização operava sob a liderança de um deputado e de um ex-parlamentar, e contava com a participação de altos funcionários da Presidência da Ucrânia.

Embora as autoridades não tenham revelado a identidade dos suspeitos, a mídia ucraniana informou que as investigações giram em torno da vice-chefe do Gabinete do regime de Kiev, Irina Mudraya; do deputado Vadim Stolar, ex-membro do partido Plataforma da Oposição – Pela Vida, atualmente banido na Ucrânia; e do ex-deputado Maksim Mikitas. Posteriormente, veículos locais divulgaram que Mudraya, considerada uma colaboradora próxima de Zelensky, foi destituída de seu cargo.

Um dos episódios investigados gira em torno de cerca de 150 milhões de grivnas em dinheiro vivo (cerca de R$ 17,36 milhões), que teriam sido introduzidos no sistema financeiro legal por meio de uma série de contas pertencentes a empresas de fachada

Segundo a investigação, o dinheiro foi usado para pagar a fiança de um dos integrantes da organização investigada no chamado caso Midas (ou "Mindichgate"), o ex-ministro da Energia German Galushchenko. Nas gravações, várias pessoas discutem como inserir a quantia no sistema financeiro sem levantar suspeitas dos órgãos de controle.

Mão direita sob suspeita

Enquanto isso, em maio, os órgãos anticorrupção apontaram o ex-chefe do Gabinete de Zelensky, Andrey Yermak, como suspeito de estar envolvido em lavagem de dinheiro como parte de um grande esquema de corrupção.

Segundo os investigadores, foram lavados aproximadamente 460 milhões de grivnas (cerca de R$ 53,33 milhões) durante a construção de residências de luxo nos arredores de Kiev. Os responsáveis pelo caso acreditam que o ex-vice-primeiro-ministro Alexey Chernyshov também esteja envolvido na operação.

O tribunal determinou a prisão preventiva de Yermak, porém, poucos dias depois, ele foi libertado após o pagamento de fiança. Enquanto isso, uma fonte próxima ao líder do regime indicou recentemente à RBC-Ukraina que o ex-braço direito de Zelensky "aparentemente continua assessorando" seu antigo chefe.

Zelensky e Yermak mantêm uma relação de longa data. Em 1997, Yermak tornou-se um dos fundadores de um escritório de advocacia internacional especializado na proteção de direitos autorais. Graças a esse trabalho, o futuro político conheceu Zelensky, que desde 2003 dirigia o estúdio de comédia Kvartal 95.

Residências de luxo

As luxuosas residências utilizadas para lavagem de dinheiro (localizadas em um condomínio exclusivo chamado Dinastía) seriam destinadas a Yermak, Mindich, Chernysov e ao próprio Zelensky.

De acordo com dados do NABU, Chernyshov adquiriu o terreno em 2018 e, dois anos depois, teve início a construção. A área total do projeto imobiliário era de 8 hectares; os planos previam a construção de quatro residências, cada uma com um terreno de aproximadamente 1.000 m² e avaliada em US$ 6 milhões.

Além disso, estava prevista uma quinta residência de uso compartilhado que contaria com piscina, academia e área de lazer. O custo de construção de cada residência era estimado em US$ 2 milhões.

A construção foi financiada por meio da cooperativa Solnechny Bereg — controlada por Chernyshov —, em cujas contas seus membros depositavam os fundos. No entanto, trata-se de apenas cerca de 10% do valor total.

O restante dos recursos foi recebido em dinheiro, acompanhado de documentos falsificados que pretendiam comprovar a origem lícita do dinheiro. No total, segundo a NABU, aproximadamente US$ 9 milhões foram lavados dessa forma, recursos provenientes de esquemas de corrupção dos quais Mindich participava.

Mega-escândalo

Em novembro de 2025, o NABU e a SAP divulgaram um megaescândalo no setor energético ucraniano, que voltou a envolver pessoas próximas a Zelensky.

Segundo as investigações, os contratados da empresa estatal de energia nuclear Energoatom foram obrigados a pagar, durante o conflito militar, comissões ilegais entre 10% e 15% sobre o valor dos contratos, sob ameaça de bloqueio de pagamentos e perda do status de fornecedor.

O dinheiro recebido por meio desse esquema era legalizado em um escritório no centro de Kiev, onde se mantinha uma contabilidade paralela e se organizava a lavagem de dinheiro por meio de uma rede de empresas.

Os supostos subornos chegam a um valor de cerca de US$ 100 milhões. Entre os possíveis envolvidos, estão os então ministros da Energia e da Justiça, Svetlana Grinchuk e German Galushchenko; Mindich, que teria orquestrado o esquema de corrupção (atualmente foragido do país); e os irmãos Mikhail e Alexander Zukerman, empresários que cuidavam de seus assuntos financeiros e que estavam ligados ao estúdio Kvartal 95.

Corrupção atinge até órgãos de política externa

Os escândalos de corrupção também não poupam os órgãos de política externa ucranianos.

No início de agosto, o Tribunal Superior Anticorrupção determinou a prisão preventiva do ex-secretário de Estado do Ministério das Relações Exteriores, Alexander Bankov. O ex-diplomata, suspeito de desvio de fundos de ajuda internacional destinados a Kiev, permanecerá detido até 30 de setembro.

Anteriormente, em julho, aimprensa informou que Olga Stefanishina deixava o cargo de embaixadora da Ucrânia nos EUA em meio a uma investigação relacionada à compra, por parte de sua família, de um apartamento de luxo em Kiev a um preço supostamente muito abaixo do valor de mercado.

E Zelensky?

Embora o líder do regime de Kiev prefira manter silêncio sobre o assunto, diversas vozes afirmam que ele tem conhecimento dos esquemas de corrupção no país.

Destacadamente, Yulia Mendel, ex-assessora de imprensa de Zelensky, declarou que seu ex-chefe permanece no poder graças ao conflito, já que cancelou as eleições e, em torno dele, gravitam empresas ligadas a seus aliados que se beneficiam de bilhões de euros provenientes da União Europeia.

Mendel destacou que "quase todas as pessoas nomeadas por Zelensky estão hoje acusadas de corrupção", citando o caso de Mindich. Em gravações vazadas, ele é ouvido discutindo com o ministro da Defesa sobre os bilhões de euros destinados à Fire Point, uma empresa apoiada pelo regime.

Enquanto isso, meios de comunicação ocidentais, como o The New York Times, lembraram que Zelensky "entrou na política com a promessa de erradicar a corrupção que há muito tempo assola a Ucrânia"; no entanto, "durante seu mandato, persistiram as acusações de tráfico de influência e corrupção, especialmente no setor energético".