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Reciprocidade contra os EUA não deve sair antes do final do ano, afirma ministro

Márcio Elias Rosa defendeu negociações com Washington sobre tarifas e detalhou próximos passos do governo brasileiro.
Reciprocidade contra os EUA não deve sair antes do final do ano, afirma ministroRovena Rosa/Agência Brasil

A aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos não deve ser concluída antes de dezembro, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, nesta quarta-feira (19). 

O ministro participou de um evento promovido pelo Instituto Esfera com o laboratório farmacêutico EMS. Em conversa com jornalistas na ocasião, disse esperar que Brasília consiga "negociar e resolver" as questões comerciais com Washington até o final do ano.

"Não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade, mas a minha expectativa é de que a gente consiga negociar e resolver ou pelo menos aplacar minimamente as questões com os Estados Unidos antes do final do ano", declarou Rosa, citado pela Folha de S. Paulo.

O governo brasileiro informou na última quinta-feira (13) que iniciou a análise de um pedido de enquadramento das tarifas impostas pelos EUA sob a Lei da Reciprocidade Econômica. O Ministério das Relações Exteriores notificou o governo norte-americano e solicitou consultas diplomáticas.

Entenda a Lei da Reciprocidade que o Brasil pretende acionar contra Washington.

Segundo o governo, as tarifas dos EUA são "injustificadas e arbitrárias", e as consultas buscam "mitigar ou anular os efeitos" das medidas. Brasília também acionou a OMC contra as sobretaxas no final de julho.

Próximas etapas

O ministro detalhou que, neste momento, os ministérios estão coletando informações sobre o tarifaço, com previsão para apresentar os resultados em 60 dias. Após essa etapa, as informações serão repassadas ao Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) para elaboração de um relatório.

Rosa negou que a medida norte-americana constitui uma tentativa de interferir nas eleições brasileiras. Para ele, trata-se de "uma barreira tarifária ao comércio com o Brasil, que é ilegal e indevido".

"Eu acho que a nós temos que negociar com os Estados Unidos a superação dessa barreira, que é ilegal, é indevida, e ao mesmo tempo nos defender porque ela é abusiva e causa danos para o país", avaliou.

O ministro também evitou vincular os diálogos com os EUA ao calendário eleitoral brasileiro. "Nós estamos aqui numa negociação comercial", enfatizou, acrescentando que o Brasil deve concentrar as negociações "na questão comercial, na questão econômica, que é o que determina, não é, a imposição das tais alíquotas de imposto lá para o Brasil".

Entretanto, caso essa vinculação ocorra por parte de Washington, isso significaria "outro abuso, outra inadequação óbvia e evidente", comentou Rosa.