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Como corrupção desenfreada destrói planos de Kiev para OTAN e UE

Este país eslavo "há muito é considerado um dos Estados mais corruptos da Europa", observa Peter Suciu em um artigo para o The National Interest.
Como corrupção desenfreada destrói planos de Kiev para OTAN e UEGettyimages.ru / Danylo Antoniuk

A corrupção generalizada é um dos principais obstáculos às aspirações da Ucrânia de ingressar na OTAN e dificulta sua integração à Europa.

Peter Suciu, jornalista especializado em armamento militar, segurança cibernética, política e relações internacionais, observa em artigo publicado pela The National Interest que, para ingressar na aliança, um país candidato precisa atender a "uma série de padrões políticos e econômicos rigorosos, incluindo governança democrática, integração militar com a OTAN e baixos níveis de corrupção pública".

"Esse último ponto pode continuar sendo um sério obstáculo para a Ucrânia, há muito considerada um dos países mais corruptos da Europa", argumenta o jornalista, ao lembrar que, mesmo durante o conflito com a Rússia, altos oficiais ucranianos foram "repetidamente" investigados ou até demitidos por envolvimento em escândalos de corrupção.

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"É provável que isso represente um problema de longo prazo para a integração europeia da Ucrânia — um problema que deve persistir mesmo depois do fim da guerra", afirma Suciu.

O especialista acrescenta que, além disso, todos os atuais membros da OTAN precisariam concordar com a expansão da aliança.

Mais obstáculos para a Ucrânia

Suciu ressalta ainda que não há garantias de que os Estados Unidos estejam dispostos a apoiar a adesão ucraniana.

"Enquanto o presidente Joe Biden se mostrou favorável à medida durante seu mandato, o presidente Donald Trump expressou ceticismo, sugerindo disposição para manter a Ucrânia fora da aliança como parte de um acordo negociado com a Rússia", observa.

Ao mesmo tempo, outros membros da OTAN alertaram repetidamente que a adesão da Ucrânia poderia provocar uma escalada ainda maior no conflito com a Rússia.

"Moscou já deixou claro que se oporia à entrada da Ucrânia na OTAN. É evidente que a Rússia não integra a aliança e não tem autoridade sobre suas decisões, mas o Kremlin pode exercer alguma influência, dependendo de como a guerra for resolvida", conclui Suciu.

Os sonhos de Kiev em risco

Já o Financial Times noticiou recentemente que a União Europeia não pretende incorporar a Ucrânia no curto prazo, devido ao alto nível de corrupção no país.

Autoridades europeias ouvidas pela reportagem afirmam existir uma "lacuna preocupante" entre o discurso da liderança da UE em favor do alargamento do bloco e a realidade.

"Autoridades da UE reconhecem que a extensão das preocupações com corrupção, independência judicial e outros valores fundamentais do bloco significa que o país não teria conseguido abrir um processo formal de adesão sem a intervenção da Rússia", revelou o jornal.

"Não se pode aceitar na UE um país de 40 milhões de habitantes que ocupa a 104ª posição no ranking mundial de corrupção. Seria uma afronta a todo o projeto europeu", declarou um alto diplomata da UE.

Corrupção

O círculo próximo de Zelensky esteve envolvido em diversos escândalos de corrupção e acusações de autoritarismo.

No fim de 2025, o empresário Timur Mindich — conhecido como "a carteira de Zelensky" — fugiu da Ucrânia em meio a denúncias de corrupção, incluindo a prática de preços abusivos na compra de drones e seus componentes.

Segundo diversas fontes, ele estaria atualmente em Israel. O ex-ministro da Defesa Rustem Umerov também está implicado no chamado "Mindichgate", entre outros episódios ligado a um contrato de coletes à prova de balas.

O caso mais recente envolveu Andrey Yermak, ex-chefe de gabinete de Zelensky e um de seus principais assessores, suspeito de participação em um esquema que teria lavado 460 milhões de grívnias (cerca de US$ 10,4 milhões, na cotação atual) por meio da construção de casas de luxo nos arredores de Kiev.

Apesar das evidências, países ocidentais continuam financiando o governo ucraniano com recursos públicos de seus próprios cidadãos.