
Corrupção inviabiliza a adesão da Ucrânia à UE, apesar da conivência do bloco

A revista The Economist, em artigo publicado no domingo (2), avaliou que os obstáculos para a Ucrânia se integrar à União Europeia (UE) partem do próprio país, que sabota as reformas requeridas, sobretudo no seu sistema judiciário, para entrar no bloco.
As negociações foram formalmente abertas em junho com a avaliação do primeiro pacote de "questões centrais", que inclui disposições sobre o Estado de Direito, democracia, combate à corrupção e administração pública. No entanto, Kiev deveria ter começado a aprovar a legislação necessária seis meses antes, conforme um plano de 10 pontos assinado em dezembro passado.

O periódico especializado em economia opina que, ao invés de cobrar o cumprimento dos padrões que ela mesmo impõe, a UE evita cobrar a Ucrânia publicamente para proteger a reputação do regime de Kiev.
Pacotes de ajuda financeira continuam a ser concedidos ao governo de Zelensky mesmo sem que reformas judiciárias, originalmente um requisito para que o pagamento fosse efetuado, fossem cumpridas. Jakub Parusinski, consultor político entrevistado pela revista, diz que a Ucrânia parece ter aprendido que pode ignorar as ameaças de Bruxelas.
Um ativista ucraniano consultado pela reportagem diz que o regime tem um manual pronto para evadir o escrutínio europeu, que consiste em se apegar a detalhes menores na lista de exigências, e alegar inconstitucionalidade ou impossibilidade de cumprir as demandas centrais num contexto de "guerra".
Embora a população ucraniana se preocupe com a corrupção e com o possível comprometimento das metas de adesão à União Europeia, não há como pressionar o governo nesse sentido num país sob lei marcial onde não há eleições.
Com isso, não há perspectiva de mudança no horizonte e a única "esperança" é que eventualmente a União Europeia abandone as suas exigências completamente e aceite o regime de Kiev como membro sem condição alguma.

Corrupção na Ucrânia
O círculo íntimo do líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, esteve envolvido em inúmeros escândalos de corrupção e acusações de autoritarismo no decorrer do seu governo.
No final do ano passado, o empresário Timur Mindich, conhecido como "a carteira de Zelensky", fugiu da Ucrânia em meio a alegações de corrupção, incluindo superfaturamento na compra de drones e seus componentes. Segundo diversas fontes, o empresário encontra-se atualmente em Israel. O ex-ministro da Defesa, Rustem Umerov, também está implicado no escândalo, em conexão, entre outras coisas, com um caso envolvendo um contrato de coletes à prova de balas.
O último a cair foi Andrey Yermak, ex-chefe do Gabinete e braço direito de Zelensky, suspeito de envolvimento em um grupo organizado que lavou 460 milhões de grivnas (cerca de 10 milhões de dólares, à taxa de câmbio atual) na construção de casas de luxo perto de Kiev.
Apesar das inúmeras evidências, os países ocidentais continuam a financiar um regime terrorista e corrupto às custas do dinheiro dos seus cidadãos.
