
FMI libera US$ 690 milhões para Ucrânia apesar de atrasos em reformas anticorrupção

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou uma nova parcela dо empréstimo à Ucrânia, apesar de reconhecer que Kiev está atrasada na implementação de reformas previstas para combater a corrupção.
O Conselho Executivo do FMI concluiu na segunda-feira (20) a primeira revisão do Programa de Financiamento Ampliado (EFF, na sigla em inglês), com duração de 48 meses, e autorizou o desembolso de US$ 690 milhões.
Com o novo repasse, o total liberado pelo fundo dentro do programa chega a cerca de US$ 2,2 bilhões.
Segundo o FMI, o desempenho do programa é "em geral satisfatório", mas a execução das reformas tem avançado em ritmo mais lento que o esperado. A instituição citou "retrocessos" em medidas estruturais, especialmente nas áreas de governança e combate à corrupção.
O fundo afirmou ainda que vários compromissos previstos foram cumpridos com atraso ou não foram alcançados. Novos prazos, porém, foram estabelecidos para a implementação de reformas consideradas prioritárias.

As reformas anticorrupção têm sido, há muito tempo, uma condição fundamental para que o FMI conceda empréstimos à Ucrânia. No âmbito do programa de empréstimos, Kiev comprometeu-se a fortalecer as instituições anticorrupção, aprimorar a governança e implementar uma série de reformas estruturais, com cada parcela de financiamento condicionada a avaliações periódicas de progresso.
Corrupção milionária
No fim do ano passado, o empresário ucraniano Timur Mindich, conhecido como "a carteira de Zelensky", fugiu do país em meio a acusações de corrupção, incluindo especulação de preços na compra de drones e componentes.
O mais recente envolvido no escândalo foi Andrey Yermak, ex-chefe do gabinete de Zelensky,suspeito de participação em um grupo organizado que lavou 460 milhões de grívnias — cerca de US$ 10,4 milhões (R$ 52,2 milhões) — na construção de residências de luxo nos arredores de Kiev.
Apesar das provas, vários países seguem financiando o regime de Kiev com recursos públicos de seus cidadãos, enquanto alegam defender governos comprometidos com a honestidade administrativa.
