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Humilde, ético, erudito e vitorioso: Díaz-Canel relembra Fidel Castro em entrevista à RT

"Fidel sempre pensou na vitória. Mesmo quando algo dava errado ou quando havia uma suposta derrota", afirmou o presidente cubano.
Humilde, ético, erudito e vitorioso: Díaz-Canel relembra Fidel Castro em entrevista à RTRT

Um homem com grande capacidade de ouvir, com uma ética impecável, um erudito e uma pessoa capaz de transformar um revés em vitória. Assim o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, descreveu Fidel Castro Ruz, líder da Revolução cubana, cujo centenário é comemorado nesta quinta-feira (13).

O presidente observou que, ao contrário do que se poderia esperar de alguém em sua posição, Castro estava aberto ao debate e à discussão, e não menosprezava outras opiniões; pelo contrário, ouvia com total atenção e registrava em detalhes o que seu interlocutor expunha.

"Fidel dava oportunidades para você conversar, até mesmo para participar de uma discussão, um debate ou uma troca de ideias. E ele ouvia você com enorme atenção, eu diria com um olhar profundo, quase como se buscasse com os olhos o que as palavras não conseguiam expressar", declarou o presidente em entrevista exclusiva à RT.

Ele enfatizou que "não se tratava de uma atitude fingida", pois vivenciou essa disposição para ouvir em primeira mão. "Tive a oportunidade de mencionar coisas que discuti com ele ou que expressei na sua frente, e que, mais tarde, em outro momento, ele se lembrou e mencionou novamente. Em outras palavras, com muito respeito, ele também dava atenção ao que eu compartilhava em uma conversa com ele", afirmou.

Ética e erudição impecáveis

Ele também se referiu ao que chamou de "dimensão ética" do líder revolucionário, que não negligenciava nem mesmo ao questionar adversários ferrenhos.

"[Tenho] ​​várias anedotas sobre a sua dimensão ética, inclusive a sua ética quando alguém criticava um inimigo. Se nessa crítica ou nessa zombaria houvesse algo que beirasse a falta de ética, Fidel imediatamente assumia uma posição surpreendente. Ou seja, um comportamento totalmente coerente", observou ele.

Outra característica mencionada pelo presidente foi a erudição de Castro ao lidar com questões históricas e políticas, que era fruto de um esforço valente para se preparar adequadamente com dados e referências sólidas, os quais ele então, apesar de seus interlocutores ou detratores, relatava de forma incisiva e difícil de refutar.

"Fidel preparava-se enormemente. Ele tinha um vasto conhecimento geral, uma cultura universal. Por isso, conseguia lidar com os acontecimentos, com a história dos eventos históricos, encontrar relações e respostas na história e manejar os números com tanta facilidade. Eu diria que ele tinha até a capacidade de colocar qualquer interlocutor em uma posição difícil, porque possuía uma profundidade de pensamento que provinha dessa erudição", afirmou.

Vitória como princípio orientador

Por fim, Díaz-Canel referiu-se à resiliência de Fidel Castro diante da adversidade, bem como à sua capacidade de transformar um aparente fracasso em sucesso e de nunca desistir da vitória, mesmo em meio a circunstâncias decididamente difíceis.

"Fidel sempre pensou na vitória. Mesmo quando algo dava errado ou quando havia uma suposta derrota, Fidel transformava o revés em vitória. E não é apenas um slogan: ele fez isso, ele provou isso. E ele sempre tinha soluções, sempre pensava de forma otimista e sempre buscava maneiras de compartilhar esse otimismo e, com ele, inspirar os outros", enfatizou.