
Díaz-Canel explica à RT por que Cuba mantém diálogo com EUA apesar das agressões

Em entrevista exclusiva à RT, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel explicou por que a ilha mantém o diálogo com os Estados Unidos e se a continuidade desses contatos ainda é benéfica.
"Precisamos retornar aos nossos precedentes históricos. A revolução sempre defendeu a busca de soluções para as diferenças bilaterais entre Cuba e os Estados Unidos por meio do diálogo. Estou convencido de que sempre haverá divergências ideológicas, mas também estou convencido de que é possível encontrar áreas e espaços onde possamos construir uma cooperação que beneficie nossos dois povos, nos ajude a garantir a paz e a estabilidade para ambas as nações, e também para a região da América Latina", afirmou o presidente.

"Este é um processo que deve ser abordado com muita seriedade, sensibilidade e responsabilidade, permitindo-nos avançar, construir confiança e, sobretudo, nos afastarmos do confronto", acrescentou.
O chefe de Estado cubano enfatizou que o confronto não é o que os povos de ambas as nações merecem. "Acredito que podemos estabelecer uma relação civilizada entre vizinhos, independentemente de nossas diferenças, mas ela deve ser baseada no respeito e na igualdade, onde nada seja condicional e onde, é claro, questões relativas ao nosso sistema político, à nossa autodeterminação, à nossa independência e à nossa soberania não estejam em discussão", afirmou.
"Porque sempre defendemos — Fidel [Castro] nos ensinou isso, assim como o General do Exército — que o diálogo é o caminho para a paz, e a paz é o pré-requisito para alcançar a estabilidade, para avançar, para um mundo melhor. E é por isso que defendemos o diálogo", explicou.
Díaz-Canel afirmou, no entanto, que "o diálogo é muito difícil nessas circunstâncias, quando há uma potência que assume constantemente o papel de agressora" e "historicamente não honrou seus compromissos".
Segundo ele, os EUA agora empregam "um alto nível de retórica ameaçadora", falam de possível agressão militar e usam "práticas muito perversas para continuar intensificando essa punição coletiva e esse cerco" a Cuba.
Аgora, denunciou o presidente, Washington inventou outro pretexto para convencer o mundo de que essa agressão contra a ilha é necessária: acusa Havana de financiar e criar "uma plataforma para o terrorismo político de esquerda". "O mundo sabe que somos um país de paz, por isso defendemos a paz, por isso defendemos o diálogo, por isso, mesmo em circunstâncias tão difíceis, mas por princípio, buscamos promover o diálogo", afirmou Díaz-Canel, acrescentando que seu país não quer uma guerra, porque seria "um banho de sangue que traria consequências terríveis para ambas as nações".
