
Mearsheimer: Trump foi levado a uma guerra que 'não pode vencer' após ignorar assessores e ouvir Netanyahu

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi levado a entrar em uma guerra que "não pode vencer" contra o Irã depois de ignorar os alertas de seus principais assessores e seguir as recomendações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e do chefe do Mossad, David Barnea. A avaliação foi feita pelo cientista político americano John Mearsheimer em entrevista à RT nesta segunda-feira (10).

Segundo Mearsheimer, antes do início do conflito, em 28 de fevereiro, o generalDan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, havia alertado Trump de que os estoques americanos de munições eram limitados e que o país não tinha condições de sustentar uma guerra prolongada contra o Irã.
Mearsheimer afirmou que os EUA já consumiram 80% dos mísseis THAAD disponíveis e 65% dos mísseis Patriot. No caso dos armamentos ofensivos, disse que aproximadamente 50% dos mísseis Tomahawk foram utilizados, além de praticamente todos os PrSM.
"É impressionante o quanto esgotamos nosso estoque de armamentos sofisticados. E essas armas não serão fáceis de repor", declarou.
Na avaliação do cientista político, o desgaste do arsenal americano não afeta apenas a capacidade de Washington de conduzir a guerra contra o Irã, mas também compromete sua posição estratégica em outras regiões consideradas prioritárias para os EUA, como oLeste Asiático e a Ucrânia.
"Se considera um gênio"
Mearsheimer disse que o general Caine não foi o único integrante do círculo próximo de Trump a se opor à estratégia adotada. Segundo ele, o vice-presidente J.D Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, também consideravam imprudente iniciar a guerra contra o Irã nos termos planejados.
O professor também avaliou que a estrutura de tomada de decisões criada por Trump na Casa Branca contribui para que o presidente desconsidere opiniões contrárias. Segundo ele, embora Trump tenha assessores, muitos deles evitam confrontá-lo por medo de suas reações.
"Trump se considera um gênio e acha que sabe o que é melhor", afirmou.
Para Mearsheimer, o resultado dessa dinâmica é que o presidente americano se tornou praticamente livre para tomar decisões de política externa sem enfrentar obstáculos significativos dentro do próprio governo.
