
Irã coloca general de guerra no centro do poder em meio ao conflito com os EUA

O Irã nomeou Mohsen Rezaei como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, o principal órgão de segurança do país, que desempenha um papel fundamental na política externa e na defesa.
Rezaei é considerado um dos "pioneiros da era da Defesa Sagrada" durante a guerra entre Irã e Iraque, e sua nomeação pode facilitar a coordenação entre os diversos órgãos do governo em meio ao conflito com os Estados Unidos.
Quem é Rezaei?
A nomeação foi anunciada pelo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, com quem Rezaei mantém um estreito vínculo.
"À luz de sua valiosa experiência, e como um dos pioneiros do glorioso período de oito anos da Defesa Sagrada, nomeio-o meu representante no Conselho Supremo de Segurança Nacional", diz o documento de nomeação, citado pela agência Tasnim.

Rezaei comandou o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) entre 1981 e 1997. Assumiu o cargo com apenas 27 anos e esteve à frente da organização durante a maior parte da guerra Irã-Iraque (1980-1988), conhecida no país persa como a "Defesa Sagrada".
Posteriormente, integrou o Conselho de Discernimento de Conveniência, órgão responsável por resolver disputas legislativas entre o Parlamento e o Conselho de Guardiões.
Em março, depois que Mojtaba Khamenei assumiu o cargo de líder supremo do Irã, Rezaei foi nomeado seu conselheiro militar.
Rezaei substitui Mohammad Bagher Zolghadr, que foi designado conselheiro do líder supremo. Anteriormente, o Conselho Supremo de Segurança Nacional era dirigido por Ali Larijani, assassinado em um ataque americano-israelense em março.
O que significa a nomeação de Rezaei?
Como aponta a Al Jazeera, Rezaei tem dado especial importância à manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. Em julho, afirmou que controlar essa via marítima valia mais do que "dezenas de bombas atômicas". Na semana passada, advertiu os Estados Unidos de que "enfrentariam sérios riscos e baixas" caso continuassem com o bloqueio aos portos iranianos.
No Irã, reconhece-se que sua nomeação pode contribuir para unir e coordenar os esforços dos diferentes órgãos estatais em meio ao conflito.
O comandante-chefe do CGRI, Ahmad Vahidi, afirmou que Rezaei "poderia ajudar a melhorar a coordenação estratégica entre o campo de batalha e a diplomacia, bem como entre a segurança política e econômica, com um enfoque baseado na resistência e na esperança".
Já Abas Aslani, pesquisador sênior do Centro de Estudos Estratégicos do Oriente Médio, sediado em Teerã, destacou que o novo secretário trará experiência militar, econômica e política.
"Precisavam de alguém que pudesse, de certa forma, sincronizar os diferentes órgãos do governo. Politicamente, ele não é tão diferente de seu antecessor na área de segurança, mas o papel que pode desempenhar dentro do país, como figura de equilíbrio, é bastante significativo nesse sentido", avaliou.
Segundo a Al Jazeera, as opiniões sobre as consequências da nomeação estão divididas. Um grupo de especialistas considera que se trata de um sinal de que as questões militares e de segurança estão ganhando prioridade em meio à guerra e às tensões com os Estados Unidos. Outros sustentam que trazer um ex-chefe da Guarda Revolucionária para o centro da tomada de decisões pode facilitar ao establishment iraniano a possibilidade de alcançar eventualmente um acordo negociado.
Muhanad Seloom, professor adjunto de política internacional e segurança no Instituto de Estudos de Pós-Graduação de Doha, sugeriu que Rezaei poderia substituir o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, como principal negociador com Washington.
"Rezaei poderia ser quem lidere a próxima fase das negociações", disse, acrescentando que "parece estar em curso uma mudança de liderança mais ampla no Irã".

