
Conflito entre EUA e Irã coloca BRICS e Organização de Cooperação de Xangai à prova

O agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã colocou o BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) diante de um dos seus maiores desafios desde a ampliação dos dois blocos, avalia o cientista político russo Timofey Bordachev, diretor de programas do Clube de Discussão Internacional Valdai.
O conflito expõe as dificuldades dessas organizações em coordenar respostas conjuntas diante de crises internacionais envolvendo um de seus membros.
Desafios do BRICS
Com a entrada do Irã no BRICS e na OCX, qualquer escalada militar envolvendo o país passou a ter impacto direto sobre a dinâmica interna desses grupos, afirma o analista.
Para o especialista, embora seus integrantes defendam uma ordem internacional mais multipolar e uma maior cooperação entre países emergentes, cada governo mantém interesses próprios, o que dificulta a adoção de uma posição unificada.

Bordachev destaca que Rússia e China condenaram os ataques contra o Irã e defenderam uma solução diplomática para a crise, enquanto outros membros do BRICS adotaram posições mais cautelosas.
Essa diversidade de interesses, segundo ele, demonstra que os blocos priorizam o diálogo e a cooperação econômica, em vez de funcionarem como alianças militares.
Reconfiguração global
Outro ponto de preocupação é o impacto do conflito sobre a segurança energética e as cadeias globais de abastecimento.
O Irã ocupa uma posição estratégica para importantes corredores comerciais, como o Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul, considerado essencial para ampliar o comércio entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa.
Para o especialista, a crise também evidencia a crescente importância de organizações como o BRICS e a OCX no cenário internacional.
Apesar dos desafios internos, o fortalecimento desses blocos pode ganhar impulso à medida que mais países querem diversificar parcerias econômicas e reduzir a dependência das instituições lideradas pelo Ocidente.
