Notícias

'Situação está saindo do controle': ONU alerta para caos no Oriente Médio

O secretário-geral António Guterres exigiu o fim dos combates na região e alertou que a atual escalada militar está arrastando o mundo para um confronto descontrolado.
'Situação está saindo do controle': ONU alerta para caos no Oriente MédioGettyimages.ru / Bilal Osama / Anadolu

A situação no Oriente Médio está "saindo do controle" e gerando sérias consequências globais, alertou António Guterres na quinta-feira (23).

O Secretário-Geral da ONU alertou sobre a escalada militar durante uma sessão do Conselho de Segurança.

"Vemos isso claramente no Oriente Médio", afirmou, enfatizando que a situação "está à beira do inimaginável".

A região "está sendo arrastada para um ciclo de confrontos cada vez maior", onde uma crise alimenta imediatamente a seguinte, acrescentou.

António Guterres denunciou o "desrespeito alarmante ao direito internacional" e a crescente impunidade. Quando soluções militares são priorizadas em detrimento de acordos, os civis pagam o preço mais alto, enfatizou, exigindo que os ataques à infraestrutura civil e os combates cessem permanentemente. "É hora de dar um passo atrás", declarou.

"O único caminho a seguir"

Não há solução militar para este conflito, e os direitos de navegação nos Estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb devem ser totalmente restaurados, explicou o diplomata.

"A diplomacia é o único caminho a seguir", reiterou, reconhecendo também os atuais esforços de mediação liderados pelo Paquistão.

"A diplomacia pode não ter impedido esses conflitos, mas ainda tem o poder de pôr fim a eles", afirmou Guterres, instando ao fortalecimento de mecanismos coletivos para a resolução pacífica, utilizando plenamente a capacidade de mediação das Nações Unidas para construir novos espaços de diálogo.

Nova escalada bélica

  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpdeclarou que os ataques continuarão até reduzir as capacidades militares do Irã. Ele também ameaçou atingir usinas de energia, pontes e instalações do setor energético caso a República Islâmica se recuse a negociar.

  • Após um frágil cessar-fogo acordado em abril, o conflito entre os dois países se intensificou, quando Trump declarou encerrado o acordo com a República Islâmica e a acusou de bombardear navios mercantes no Estreito de Ormuz. Desde então, ocorreram intensas trocas de ataques, com bombardeios norte-americanos que atingiram inclusive infraestrutura civil iraniana, enquanto Teerã respondeu com ataques contra bases dos Estados Unidos na região. Além disso, Washington restabeleceu o bloqueio militar aos portos iranianos.

  • Na quarta-feira (22), Donald Trump lançou uma advertência ao Irã em meio à nova escalada entre os dois países. O presidente ameaçou bombardear uma ponte ou uma usina elétrica para cada ataque que a República Islâmica realizar contra um navio no Estreito de Ormuz. Um dia antes, Trump havia afirmado que os Estados Unidos realizariam ataques "com muita força" contra qualquer local onde o Irã "esteja sequer pensando em armas nucleares".

  • Teerã sustenta que suas ações são uma resposta às violações do memorando de entendimento por parte de Washington. Nesse contexto, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) advertiu que não será exportada "nem uma única gota de petróleo ou gás" da região enquanto continuarem as agressões americanas.