
As armas silenciosas que dão ao Irã um poder de fogo sem ogivas

O mantra da Administração de Donald Trump de que o Irã não pode ter armas nucleares ignora o fato de que o país já dispõe de armamentos não menos letais. Não no sentido literal, como seria o caso de ogivas nucleares reais, mas sim no seu impacto asfixiante sobre as artérias vitais para a economia mundial e para o domínio dos Estados Unidos.
O Estreito de Ormuz
Uma das armas nas mãos de Teerã é seu contínuo controle sobre o Estreito de Ormuz, crucial para o abastecimento global de recursos energéticos provenientes dos países do Golfo Pérsico.

"A capacidade de fechar, restringir ou mesmo ameaçar de forma crível o bloqueio dessa passagem constitui uma arma estratégica por si só, equivalente na prática a um elemento de dissuasão tática", destaca um oficial aposentado das Forças Armadas Canadenses em seu artigo para o The Jerusalem Post.
Fator geográfico
A segunda arma do Irã é sua localização: o país encontra-se no centro geográfico da Eurásia, onde se unem o centro e o sul da Ásia, o Levante e o Cáucaso. Utilizando sua vantagem geográfica, o Irã firmou em 2000, juntamente com a Rússia e a Índia, um acordo para a criação do Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul.
A rota percorre cerca de 7.200 quilômetros, partindo de Mumbai (Índia) até São Petersburgo (Rússia), passando por portos iranianos até o Mar Cáspio.
O Irã também conta com uma conexão ferroviária com a China, que liga a cidade de Xi'an ao porto seco iraniano de Aprin, estendendo-se contornando o Estreito de Málaca.
O artigo do jornal destacou que os dois corredores passam pelo Irã e, por essa razão, contornam totalmente o domínio naval americano.
"A China obtém uma parte significativa do seu petróleo bruto transportado por mar do Irã, com descontos que o comércio em yuans preserva para Pequim. Perder o Irã é perder o desconto que sustenta a competitividade industrial chinesa", explicam os autores do artigo.
Em termos operacionais, o Irã "está corroendo a supremacia americana a partir do eixo euroasiático em tempo real, e a explosão resultante está remodelando a arquitetura dos corredores que decide se o próximo século será unipolar ou multipolar", conclui o analista.
