
Países do BRICS devem se unir para destruir sentimento de superidade e impunidade dos EUA, diz Irã

Os Estados-membros do BRICS devem unir forças para enfrentar o crescente "sentimento de superioridade e impunidade" dos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira (14) o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, em Nova Delhi, que recebe a reunião de chanceleres do grupo.
"Os crimes [dos EUA], e o silêncio do Ocidente diante deles, só se tornam possíveis por causa de um sentimento de impunidade e ausência de responsabilização. Esse falso sentimento de superioridade e impunidade deve ser destruído por todos nós", sustentou o chanceler.

Na sequência, ele conclamou os países do BRICS e a comunidade internacional a adotarem "medidas práticas para deter o belicismo e acabar com a impunidade daqueles que violam a Carta das Nações Unidas".
Ameaças comuns
O alto diplomata afirmou que, embora o Irã tenha sido alvo duas vezes de agressões dos EUA e de Israel ao longo do último ano, muitos outros países membros do grupo também enfrentaram "pressão e coerção odiosas" por parte de Washington.
"Não podemos ignorar a ameaça comum e perigosa que todos nós enfrentamos", declarou.
Araghchi argumentou ainda que o grupo "deve se tornar um dos principais pilares na formação" de uma ordem global mais justa, na qual o Sul Global desempenhe um papel mais proeminente.
Ele alertou que "potências imperialistas em declínio buscam fazer o tempo retroceder e, em sua queda, agem de forma agressiva", numa tentativa desesperada de reverter a tendência rumo à multipolaridade e preservar sua hegemonia. Nesse contexto, citou o envolvimento cada vez mais explícito das potências ocidentais em "genocídios horríveis [e] chocantes violações da soberania nacional".
Embora o BRICS tenha se posicionado até agora principalmente como uma parceria econômica, algumas propostas levantadas nos últimos meses apontam para uma possível cooperação em matéria de segurança dentro do grupo.
Pouco depois do início da agressão dos EUA e Israel contra o Irã, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva pediu à também integrante do BRICS, África do Sul, que ampliasse a cooperação em defesa e reduzisse sua dependência de armamentos estrangeiros. Durante uma reunião com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa em março, Lula advertiu que ambos os países poderiam se tornar vulneráveis a uma "invasão".
