O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que anunciou na quinta-feira (23) que utilizará o dinheiro do Irã retido por seu governo para indenizar os danos causados a navios e cargas comerciais.
"Confiscar os bens de outra nação para pagar indenizações futuras não relacionadas cria um precedente perigoso", afirmou o ministro em uma mensagem publicada na rede social X.
Nesse sentido, Araghchi se referiu aos riscos de "normalizar a confiscação de bens" e alertou aqueles que comemoram ou se beneficiam da decisão de que, com essa política, "os bens de ninguém estarão a salvo".
"O caos resultante não será nem agradável nem pacífico", concluiu.
"Justo e equitativo"
Trump esclareceu que a medida entraria em vigor imediatamente e "até novo aviso", e a justificou afirmando que, embora os custos de indenização possam ser muito elevados, "é o que é justo e equitativo".
Sua decisão se insere no contexto da recente intensificação do conflito, em que, há vários dias, os EUA e o Irã vêm trocando ataques militares e o tráfego diário de navios mercantes enfrenta riscos constantes no Oriente Médio.
No mês passado, o presidente dos EUA havia garantido que os ativos iranianos congelados seriam usados para "comprar alimentos", ressaltando que isso seria feito "exclusivamente por meio dos EUA, de nossos agricultores".
Nova escalada bélica
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os ataques continuarão até reduzir as capacidades militares do Irã. Ele também ameaçou atingir usinas de energia, pontes e instalações do setor energético caso a República Islâmica se recuse a negociar.
Após um frágil cessar-fogo acordado em abril, o conflito entre os dois países se intensificou, quando Trump declarou encerrado o acordo com a República Islâmica e a acusou de bombardear navios mercantes no Estreito de Ormuz. Desde então, ocorreram intensas trocas de ataques, com bombardeios norte-americanos que atingiram inclusive infraestrutura civil iraniana, enquanto Teerã respondeu com ataques contra bases dos Estados Unidos na região. Além disso, Washington restabeleceu o bloqueio militar aos portos iranianos.
Na quarta-feira (22), Donald Trump lançou uma advertência ao Irã em meio à nova escalada entre os dois países. O presidente ameaçou bombardear uma ponte ou uma usina elétrica para cada ataque que a República Islâmica realizar contra um navio no Estreito de Ormuz. Um dia antes, Trump havia afirmado que os Estados Unidos realizariam ataques "com muita força" contra qualquer local onde o Irã "esteja sequer pensando em armas nucleares".
- Teerã sustenta que suas ações são uma resposta às violações do memorando de entendimento por parte de Washington. Nesse contexto, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) advertiu que não será exportada "nem uma única gota de petróleo ou gás" da região enquanto continuarem as agressões americanas.