A "agressão irracional" dos Estados Unidos garantirá que seu presidente, Donald Trump, "pague um preço mais alto pelo acordo que tenta alcançar". A advertência foi feita nesta quinta-feira (23) pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
O chanceler denunciou que há "indivíduos comprometidos dentro do governo dos Estados Unidos" que ignoram a realidade, "enfiando a cabeça na areia". Além disso, afirmou que esses funcionários ignoram a situação no terreno.
Araghchi declarou que esses setores parecem estar focados "apenas em 2028", ano em que serão realizadas as eleições presidenciais no país. Nesse sentido, explicou que a agressão sem sentido que defendem acabará afetando diretamente o presidente americano.
Nova escalada da guerra
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os ataques continuarão até reduzir as capacidades militares do Irã. Ele também ameaçou atingir usinas de energia, pontes e instalações do setor energético caso a República Islâmica se recuse a negociar.
Após um frágil cessar-fogo acordado em abril, o conflito entre os dois países se intensificou, quando Trump declarou encerrado o acordo com a República Islâmica e a acusou de bombardear navios mercantes no Estreito de Ormuz. Desde então, ocorreram intensas trocas de ataques, com bombardeios norte-americanos que atingiram inclusive infraestrutura civil iraniana, enquanto Teerã respondeu com ataques contra bases dos Estados Unidos na região. Além disso, Washington restabeleceu o bloqueio militar aos portos iranianos.
Na quarta-feira (22), Donald Trump lançou uma advertência ao Irã em meio à nova escalada entre os dois países. O presidente ameaçou bombardear uma ponte ou uma usina elétrica para cada ataque que a República Islâmica realizar contra um navio no Estreito de Ormuz. Um dia antes, Trump havia afirmado que os Estados Unidos realizariam ataques "com muita força" contra qualquer local onde o Irã "esteja sequer pensando em armas nucleares".
- Teerã sustenta que suas ações são uma resposta às violações do memorando de entendimento por parte de Washington. Nesse contexto, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) advertiu que não será exportada "nem uma única gota de petróleo ou gás" da região enquanto continuarem as agressões americanas.