O ex-integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN) Manoel Cyrillo afirmou, em entrevista à jornalista Milena Portella, correspondente da RT no Brasil, que estava sendo preparado para viajar a Cuba e receber treinamento de guerrilha quando foi preso pela repressão durante a ditadura militar (1964-1985).
Segundo ele, a ida à ilha fazia parte da estratégia da organização para militantes que já haviam se tornado conhecidos pelos órgãos de segurança.
"Eu estava sendo preparado para ir para Cuba, receber o treinamento de guerrilha lá", afirmou. Cyrillo explicou que aguardava um passaporte falso para deixar o país e que o trajeto passaria por nações da Europa antes da chegada à ilha. "Meu nome já era conhecido da repressão" e, por isso, "eu ia embarcar então para Cuba".
Na entrevista, o ex-militante também relembrou a participação em ações da ALN, como a captura do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick e a ocupação da então Rádio Nacional de São Paulo.
Segundo ele, os integrantes da organização transmitiram uma gravação de Carlos Marighella por cerca de 20 minutos após tomarem a torre de retransmissão da emissora. "A gente entrou, ocupou e colocamos uma fita nossa com a gravação de um texto do Marighella", disse.
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Cyrillo e Gabeira
Cyrillo contou ainda um episódio curioso envolvendo a captura de Elbrick. Segundo ele, uma testemunha fez um retrato falado de um dos participantes da ação, mas a imagem acabou sendo atribuída ao ex-deputado Fernando Gabeira.
"No dia seguinte, o retrato falado do Gabeira estava nos jornais. Só que era o meu", afirmou. De acordo com o ex-militante, a confusão levou Gabeira a deixar temporariamente o Rio de Janeiro.
- A Ação Libertadora Nacional (ALN) foi uma organização de esquerda fundada por Carlos Marighella em 1967, que defendia a luta armada contra a ditadura militar instalada no Brasil em 1964. Sua ação mais conhecida ocorreu em setembro de 1969, quando militantes da ALN e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) capturaram o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick. Em troca da libertação do diplomata, exigiram a soltura de 15 presos políticos e a leitura, em cadeia nacional de rádio e televisão, de um manifesto contra o regime militar, rompendo temporariamente a censura imposta pela ditadura.