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Decisão de Trump para flexibilizar compra de armas pode facilitar tráfico de fuzis para PCC e CV

O governo americano analisa 34 mudanças nas regras de comercialização de armamentos, incluindo a venda de armas de fogo pela internet.
Decisão de Trump para flexibilizar compra de armas pode facilitar tráfico de fuzis para PCC e CVImagem gerada por IA

O governo de Donald Trump estuda mudanças nas regras de venda de armas nos Estados Unidos que podem facilitar a compra de fuzis por civis e aumentar o risco de desvio de armamentos para o tráfico internacional, incluindo organizações criminosas como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

A análise foi feita pela BBC News e publicada pelo g1, nesta terça-feira (14).

Entre as propostas do governo americano está a possibilidade de permitir a compra de armas pela internet, com verificação de antecedentes criminais.

Mudanças em análise nos EUA

As alterações foram apresentadas pelo Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF), que colocou em análise 34 propostas de mudança na regulamentação do comércio de armas, no final de abril.

As medidas buscam reverter regras adotadas durante o governo de Joe Biden, incluindo a ampliação da exigência de licença para vendedores de armas.

Críticos afirmam que o afrouxamento das normas pode facilitar o tráfico internacional de armamentos, já que os Estados Unidos são uma das principais origens de fuzis apreendidos no Brasil.

Em maio, a administração Trump também classificou PCC e CV como organizações terroristas, decisão contestada pelo governo brasileiro, que afirma que as facções devem ser combatidas como grupos criminosos, sem essa classificação.

Fuzis americanos apreendidos no Brasil

Segundo levantamento do Instituto Sou da Paz, entre 2019 e 2023, foram apreendidos 3.119 fuzis no Brasil. Do total, 1.701 tiveram a origem identificada, sendo:

  • 738 fuzis fabricados nos Estados Unidos;
  • 586 produzidos no Brasil;
  • 377 de outros países.

Uma das formas de entrada ilegal ocorre quando armas compradas legalmente nos EUA são enviadas ao Brasil escondidas em cargas comuns.

Em maio, um fuzil AK-47 enviado da Flórida foi encontrado desmontado e oculto dentro de um forno durante fiscalização no Aeroporto de Viracopos (SP).

Em março de 2024, a Receita Federal também apreendeu 30 fuzis desmontados no mesmo aeroporto.

Os armamentos estavam escondidos em diferentes mercadorias e tinham como destino estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No Brasil, autoridades também apontam outro desafio: o crescimento de fábricas clandestinas de armas.

Segundo o Ministério da Justiça, esse tipo de produção se tornou uma das principais preocupações no combate ao tráfico, já que reduz a dependência das facções em relação ao mercado internacional.