'Vai dar FBI': gravações registram pânico de empresário brasileiro sancionado pelos EUA

Áudios obtidos pela PF mostram Victor Shimada em alerta sobre rastreamento de criptomoedas e admitindo operações em seu nome após fraude de R$ 35 milhões.

A Polícia Federal (PF) obteve áudios reveladores do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada — um dos alvos das sanções anunciadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA na quarta-feira (1º) contra brasileiros ligados às facções CV e PCC —, nos quais ele demonstra profunda apreensão com investigações internacionais. As informações foram divulgadas pelo portal g1 na quinta-feira (2).

As gravações, extraídas de seu celular após apreensão, datam de agosto de 2024 e fazem parte da apuração sobre fraude milionária que resultou em desvio superior a R$ 35 milhões do Banco Votorantim.

O material integra relatório pericial produzido pela corporação durante investigação que levou o empresário à prisão domiciliar em janeiro de 2025.

Nas conversas interceptadas, Shimada antecipa o alcance transnacional da investigação, mencionando explicitamente que autoridades rastreavam carteiras digitais e que recursos convertidos em criptomoedas haviam transitado por Colômbia e Estados Unidos.

"É, mano. Esse papo vai dar FBI, mano. Você entendeu? Não é brincadeira. Os caras estão investigando pesado", afirma o empresário em uma das gravações.

Inquieto, o empresário reconhece que operações estavam registradas diretamente em seu nome, sem intermediários, e admite ter deixado o país precipitadamente para tentar resolver bloqueios financeiros. "Foi no meu nome isso, mano. Por isso que eu tô desesperado", escuta-se em outro trecho.

A corretora mexicana Bitso, utilizada em suas transações, aparece frequentemente nas conversas como plataforma central das movimentações investigadas.

Acusações

O desdobramento internacional da apuração enfim se concretizou quando o governo de Donald Trump incluiu Shimada na lista de sanções por suposta participação em rede internacional de lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as autoridades americanas, o empresário teria lavado aproximadamente US$ 30 milhões (cerca de R$ 157 milhões) para a organização criminosa. Além do caso bancário, ele responde como operador financeiro no escândalo envolvendo desvios do contrato de patrocínio entre Corinthians e VaideBet.

A defesa do empresário contesta veementemente as acusações, negando qualquer envolvimento com organizações criminosas ou práticas de lavagem de dinheiro.

"Até o presente momento, não tivemos acesso aos documentos oficiais e aos elementos que fundamentaram a medida, o que impede qualquer manifestação específica sobre seu conteúdo", afirmaram seus advogados. "Não obstante, Victor Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro."

O Banco Votorantim confirmou ter identificado movimentações irregulares em seus serviços, adotado medidas imediatas e colaborado ativamente com as investigações que culminaram nas sanções contra Shimada.