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Operações de programa do governo causam mais de R$1,5 bilhão de prejuízo ao crime organizado em um mês

Iniciativa coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública resultou em quase 8 mil prisões e mobilizou cerca de 10 mil profissionais em operações realizadas em todo o país.
Operações de programa do governo causam mais de R$1,5 bilhão de prejuízo ao crime organizado em um mêsAgência Brasil

Nos primeiros 30 dias de funcionamento, o Programa Brasil Contra o Crime Organizado apreendeu 82,5 toneladas de drogas, 356 armas e 20.686 munições, além de prender 7.961 pessoas e provocar um prejuízo estimado de R$ 1,6 bilhão às facções criminosas, informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República nesta segunda-feira (15).

Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a iniciativa mobilizou 9.964 profissionais de segurança pública em 11 operações realizadas em todas as unidades da Federação.

As ações foram coordenadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e executadas por forças federais, estaduais e municipais. Além das 82,5 toneladas de drogas, foram apreendidas mais de 19 mil unidades de drogas sintéticas, 312 armas de fogo, 44 armas artesanais, 2,5 quilos de explosivos e destruídos 93,2 mil pés de maconha.

Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, os resultados refletem a atuação conjunta das forças de segurança.

"Os números deste primeiro mês mostram uma atuação integrada e consistente das forças de segurança em todo o país. Estamos retirando drogas, armas e recursos financeiros das organizações criminosas, enfraquecendo sua capacidade operacional e ampliando a presença do Estado onde a população mais precisa", afirmou.

Ações bloquearam recursos das organizações

As operações permitiram a apreensão de R$ 523,3 milhões em bens, o bloqueio de R$ 22,2 milhões em ativos financeiros e a aplicação de R$ 10,4 milhões em multas. Também foram recuperados ou preservados R$ 6,5 milhões em impostos.

Entre as operações com maior impacto financeiro, a Renoe gerou prejuízo estimado de R$ 528,2 milhões às organizações criminosas, seguida pelas operações Fronteiras, com R$ 485 milhões, Divisas, com R$ 368,7 milhões, Renarc, com R$ 130,7 milhões, e Biomas, com R$ 88,5 milhões.

Para o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, os resultados demonstram a importância da integração entre os entes federativos.

"O crime organizado atua de forma articulada e exige uma resposta igualmente coordenada. Os resultados alcançados mostram que estamos interrompendo rotas criminosas, retirando armamentos e drogas de circulação, atingindo o patrimônio das facções e fortalecendo a capacidade de investigação das forças de segurança", declarou.

81 frentes operacionais

O programa contou com ações da Força Nacional de Segurança Pública em 13 estados e no Distrito Federal. Entre 12 de maio e 7 de junho, foram realizadas 34.656 abordagens a pessoas e 20.365 a veículos, resultando na apreensão de 1.684,74 quilos de drogas, 14 armas, 27 veículos e 31.393 litros de combustível, além de 41 prisões.

No período, também foram entregues equipamentos para operações na Amazônia Legal e estruturada a Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional no Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI-Amazônia), em Manaus.

A Diretoria do Sistema Único de Segurança Pública promoveu cursos nas áreas de comparação balística, papiloscopia e cadeia de custódia, capacitando 131 profissionais. Somadas às ações da Força Nacional, as iniciativas qualificaram 474 agentes de segurança pública em 30 dias.

Além disso, equipamentos periciais foram entregues a institutos médico-legais estaduais para ampliar a produção de provas e as investigações criminais.

Operação em presídios

Por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o programa intensificou medidas para restringir a comunicação de lideranças criminosas no sistema prisional. A 11ª fase da Operação Mute apreendeu 680 celulares em 124 presídios, após a vistoria de 3.728 celas.

De acordo com o secretário André Garcia, "quando reduzimos a capacidade de comunicação e articulação de organizações criminosas dentro dos presídios, ampliamos a proteção da população e contribuímos diretamente para uma sociedade mais segura".

A Secretaria Nacional de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) informou que seu sistema de alerta rápido sobre drogas emitiu 14 comunicados que deram origem a ações de inteligência e operações policiais. Em 2025, a secretaria retirou R$ 500 milhões de circulação por meio da gestão de ativos apreendidos.

Inteligência e cooperação

"O combate ao crime organizado só funciona com ações integradas de inteligência, repressão qualificada e prevenção, com presença permanente do Estado nos territórios", afirmou a secretária Marta Rodriguez de Assis Machado.

Já a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), responsável pela Rede de Laboratórios Estratégicos contra o Crime (Rede-Lab Crim), informou que os 65 laboratórios espalhados pelo país já originaram pelo menos 15 ações estratégicas voltadas ao combate ao crime organizado e às fraudes.

Segundo a secretária Maria Rosa Guimarães Loula, "a Senajus tem fortalecido a cooperação internacional, a recuperação de ativos e os instrumentos jurídicos que permitem atingir as estruturas financeiras do crime organizado no exterior".