O Senado de Berlim pretende demolir o último bunker remanescente da antiga Nova Chancelaria do Reich, complexo que serviu como centro de poder de Adolf Hitler. A ideia é viabilizar a construção de 66 apartamentos e um edifício comercial. A informação foi divulgada na segunda-feira (29) pelo jornal B.Z. A proposta, no entanto, enfrenta críticas de especialistas em preservação do patrimônio e de entidades dedicadas à memória histórica.
O secretário de Desenvolvimento Urbano, Construção e Habitação da capital alemã, Christian Gaebler, defendeu a demolição afirmando que a cidade enfrenta escassez de moradias e que a preservação do bunker poderia transformá-lo em um ponto de peregrinação para grupos neonazistas.
"Não vamos impedir a construção de moradias para preservar um bunker que ainda pode se tornar um local de peregrinação", afirmou Gaebler ao jornal.
Representantes da área de preservação do patrimônio da Alemanha criticaram o projeto. Segundo Sebastian Heber, chefe do departamento de arqueologia do Escritório Estadual de Patrimônio, o bunker possui "ampla importância histórica e científica", por representar o último vestígio original da Nova Chancelaria do Reich e também o último bunker pré-guerra ainda preservado no antigo distrito governamental nazista de Berlim.
Apesar disso, o local não recebeu status oficial de patrimônio histórico por orientação da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Construção e Habitação do Senado. Em março de 2025, o Conselho Estadual de Patrimônio recomendou avaliar sua inclusão na lista de monumentos históricos, destacando que a Nova Chancelaria foi o "local de planejamento e ponto de partida da Segunda Guerra Mundial" e simboliza o fim do regime nazista.
'Uma completa loucura'
O presidente da associação histórica Berliner Unterwelten, Dietmar Arnold, classificou o plano como um equívoco e defendeu a preservação do bunker.
"Demolir um dos últimos vestígios do centro de poder nazista é, hoje em dia, uma completa loucura", declarou.
Arnold também rejeitou o argumento de que o local possa se tornar um destino para extremistas, afirmando que essa justificativa é apenas "um argumento usado como pretexto".
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Segundo ele, a associação demonstra há anos que é possível preservar estruturas desse tipo com abordagem histórica adequada. O pesquisador propôs transformar o bunker em um memorial da capitulação alemã e transferir o projeto habitacional para outra área do terreno.