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Belarus cita receio histórico ao criticar belicismo alemão e cobra Europa por diálogo de segurança

Citando a invasão alemã de 1941, o vice-ministro da chancelaria belarussa apontou simbolismo ofensivo de tanques alemães na Lituânia e alertou para aumento drástico nos gastos militares dos países vizinhos.
Belarus cita receio histórico ao criticar belicismo alemão e cobra Europa por diálogo de segurançaReprodução/X/@BelarusMFA

O governo de Belarus classificou como ofensiva a instalação de tanques da Alemanha na Lituânia e apelou aos países da Europa pela retomada de um diálogo de segurança profissional e despolitizado. As declarações do vice-ministro das Relações Exteriores belarusso, Igor Sekreta, concedidas ao jornal alemão Berliner Zeitung, foram divulgadas nesta segunda-feira (18) pela agência Belta.

Sekreta destacou a disparidade na militarização da região. Segundo o diplomata, enquanto Belarus mantém seu orçamento militar sem grandes alterações, Polônia, Lituânia e Letônia aumentam drasticamente as despesas com defesa.

Em 2025, o investimento somado das três nações superou 52 bilhões de euros, valor 25 vezes superior ao gasto por Minsk. Em 2026, esses vizinhos planejam atingir a marca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em orçamento militar.

O vice-ministro ressaltou que as nações ocidentais ignoram instrumentos de transparência, como o Documento de Viena de 2011, e rejeitam convites para observar manobras, a exemplo do exercício militar Zapad 2025.

"Países que têm preocupações genuínas recusam contatos e diálogo?", questionou.

Simbolismo na fronteira

A principal queixa de Belarus envolve a presença da 45ª Brigada Panzer da Alemanha em território lituano, vista por Sekreta como uma afronta à memória do país.

Ainda segundo a Belta, o diplomata relembrou que a 45ª Divisão de Infantaria da Wehrmacht liderou a invasão a Belarus na madrugada de 22 de junho de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial. A unidade queimou cidades e vilas antes de ser quase totalmente destruída no país em 1944.

"Oitenta e um anos depois, a unidade do exército com o mesmo número histórico está mais uma vez estacionada nas nossas fronteiras ocidentais — desta vez sob o pretexto de 'proteger o flanco oriental da OTAN'", afirmou Sekreta. "Como nós em Minsk, e os belarussos comuns que lembram da história, devemos reagir a esse simbolismo?"

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O vice-ministro descreveu a movimentação militar atual não como uma defesa contra ameaças, mas como um "tilintar de sabres irrefletido e ofensivo".