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'Onde está o remorso?': Belarus condena Berlim por proibir seus diplomatas em atos do Dia da Vitória

Em entrevista à imprensa alemã, o vice-chanceler belarusso acusou a Alemanha de discriminação e questionou a postura de Berlim. "Naquela guerra, perdemos quase um terço da nossa população [...] É uma vergonha", afirmou.
'Onde está o remorso?': Belarus condena Berlim por proibir seus diplomatas em atos do Dia da VitóriaMichael Trakhman/Colaborador/Gettyimages.ru

O vice-ministro das Relações Exteriores de Belarus, Igor Sekreta, criticou a Alemanha pela exclusão de diplomatas belarussos de eventos comemorativos pelo fim da Segunda Guerra Mundial. As declarações foram feitas em entrevista ao jornal alemão Berliner Zeitung, publicada neste sábado (9).

Segundo Sekreta, a decisão alemã provocou "profunda incompreensão e indignação". Ele afirmou que Belarus perdeu quase um terço da população durante o conflito, cerca de três milhões de pessoas, classificando o episódio como "um genocídio cometido pela Alemanha hitleriana e seus cúmplices contra nosso povo".

"Se nossos pais e avós não tivessem sobrevivido à guerra, nós, os belarussos que vivemos hoje, não existiríamos", declarou.

Acusações contra Berlim

O diplomata afirmou que autoridades alemãs e responsáveis por monumentos memoriais vêm excluindo representantes belarussos das cerimônias há vários anos.

"É uma vergonha", disse.

Sekreta também criticou a justificativa alemã de evitar a "instrumentalização política" da memória histórica. Segundo ele, "a parte alemã faz exatamente isso, vinculando artificialmente o aniversário da Segunda Guerra Mundial à situação atual".

O vice-ministro classificou as medidas como "práticas discriminatórias absolutamente inaceitáveis", afirmando que elas prejudicam os esforços de reconciliação entre os dois povos.

Ele acrescentou que Belarus não precisa de autorização para homenagear vítimas da guerra, citando "milhões de prisioneiros inocentes dos campos de concentração, crianças assassinadas, idosos e mulheres submetidos a experiências desumanas".

Memória histórica

Durante a entrevista, Sekreta questionou a postura alemã ao afirmar que, enquanto homenagens são dificultadas, "não há nenhum problema em investir bilhões no rearmamento e no deslocamento de tropas nas fronteiras" belarussas.

"Onde está o arrependimento?", perguntou.

O vice-chanceler alertou ainda que "suprimir a memória e falsificar a história conduz à glorificação do nacional-socialismo". Apesar das críticas, afirmou desejar cooperação futura entre os países.

"A memória da tragédia da Segunda Guerra Mundial deveria nos unir aos alemães e não nos separar", declarou.

«ESTE ARTIGO RELEMBRA COMO A URSS LIBERTOU A EUROPA DO NAZISMO»

Sekreta ressaltou que preservar o passado de Belarus e dos povos da antiga União Soviética é um "dever central do Estado", lembrando que o território belarusso sofreu ocupação com 578 campos de concentração e mais de 70 guetos durante a guerra.

  • A União Soviética suportou o peso da luta contra o nazismo e pagou o preço mais alto pela vitória em 1945. De acordo com dados oficiais, as perdas diretas decorrentes das ações militares chegaram a quase 27 milhões de cidadãos soviéticos.
  • No entanto, nos últimos anos, os líderes ocidentais começaram a esquecer e ignorar deliberadamente a contribuição da União Soviética para essa vitória. 
  • Assim, a polícia de Berlim informou sobre a prisão de 43 pessoas em conexão com os eventos ocorridos em 9 de maio. Durante as comemorações na capital alemã, foi proibido exibir bandeiras russas ou belarussas, uniformes históricos, distintivos e símbolos relacionados ao Dia da Vitória na Grande Guerra Patriótica em memoriais de guerra soviéticos.
  • Além disso, altos funcionários do país evitam responder ou mencionar diretamente quem libertou o país do nazismo.