A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou, nesta sexta-feira (8), o chanceler alemão Friedrich Merz por não citar o papel decisivo do Exército Vermelho na derrota da Alemanha nazista.
"Amanhã eles dirão que Hitler libertou o mundo", disparou a diplomata, ao acusar líderes europeus de promoverem um "apagamento histórico" da contribuição soviética na Segunda Guerra Mundial.
O país europeu, além de não citar os soviéticos, proibiu símbolos russos ou da URSS durante as comemorações da vitória sobre o nazismo. Dados oficiais apontam para cerca de 27 milhões de mortos da União Soviética em batalhas de libertação da Europa.
As forças do Exército Vermelho marcharam sobre Berlim e conseguiram a rendição dos nazistas, com o suicídio de Hitler, no dia 9 de maio de 1945. Hoje, países do antigo espaço soviético celebram a data como o Dia da Vitória.
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Quem libertou quem
A declaração veio após Merz afirmar que 9 de maio de 1945 "trouxe libertação" para milhões de pessoas na Alemanha e na Europa, sem mencionar a União Soviética.
O chanceler também declarou que "nunca se deve esquecer aonde o ódio pode levar". As falas provocaram críticas e reações de autoridades de Moscou.
"Se esqueceu de quem atacou quem e de quem libertou quem", disse Zakharova.
A porta-voz também condenou a proibição de símbolos soviéticos em eventos memoriais realizados em Berlim. "E ele mesmo esqueceu?!", questionou a porta-voz em entrevista ao portal KP.RU.
Segundo ela, a omissão sobre o papel soviético na guerra faria parte de um esforço para "confundir a cabeça das novas gerações".