'Solução de dois Estados está sendo corroída', denuncia Moscou

Rússia criticou a posição do Ocidente sobre conflitos como o de Israel e Palestina e defendeu questões que encontram ecos na diplomacia brasileira, como a solução de dois Estados e a reforma no Conselho de Segurança.

A representante permanente interina da Rússia nas Nações Unidas, Anna Evstigneeva, afirmou nesta terça-feira (23) que as bases do processo de paz no Oriente Médio estão sendo enfraquecidas e que a perspectiva de uma solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina está cada vez mais distante.

A existência dos Estados soberanos e independentes na região é uma posição tradicional da diplomacia russa e também encontra respaldo em nações como o Brasil.

"A solução de dois Estados está sendo corroída, e Israel continua a controlar a maior parte dos territórios conquistados durante guerras anteriores e a recente escalada do conflito, incluindo o perímetro de Jerusalém", declarou a diplomata.

A declaração foi feita durante uma reunião informal de membros do Conselho de Segurança da ONU, realizada sob a chamada Fórmula Arria, mecanismo utilizado para debates sobre temas de paz e segurança internacional.

Evstigneeva também criticou iniciativas de mediação que, segundo ela, reduzem o papel das Nações Unidas nas negociações. Para Moscou, esse movimento "contradiz fundamentalmente os princípios básicos para o estabelecimento da paz na região".

Ocidente e fragilidades da ONU

A representante russa ainda criticou o Ocidente coletivo, acusando-o de utilizar sua influência dentro do Conselho de Segurança para aprovar ou rejeitar decisões sem amplo consenso.

"Está se tornando cada vez mais comum que os países ocidentais, com sua capacidade de definir as pautas, se recusem a buscar um consenso sobre importantes questões de paz e segurança", afirmou

Evstigneeva argumentou que o cenário reforça a necessidade de mudanças na estrutura do Conselho de Segurança, outra pauta que encontra ecos na diplomacia brasileira.

"Isso confirma a necessidade de uma reforma no Conselho de Segurança, que poderia aumentar a participação de países em desenvolvimento em sua composição", concluiu.