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Rússia diz que não permitirá uso 'neocolonial' do Conselho de Segurança da ONU pelo Ocidente

A diplomacia russa defendeu maior presença de países em desenvolvimento no principal órgão colegiado das Nações Unidas.
Rússia diz que não permitirá uso 'neocolonial' do Conselho de Segurança da ONU pelo OcidenteFotografia oficial da Presidência da Colômbia

Ao apresentar visões sobre possíveis reformas no Conselho de Segurança da ONU, a Rússia afirmou, nesta terça-feira (14), que não permitirá que países ocidentais utilizem o organismo para fins "neocoloniais".

Um dos pontos centrais dos debates sobre mudanças na ONU é o chamado direito de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança. Para a diplomacia russa, este é um instrumento essencial que deve ser preservado.

O representante permanente do país nas Nações Unidas, Vassily Nebenzya, defendeu a presença de mais países no Conselho de Segurança. "(A reforma) deverá aumentar a representação proporcional dos países em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina".

Direito de veto e Conselho de Segurança

Frequente alvo de críticas da comunidade internacional, o poder de veto é um instrumento reservado para os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: China, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido e França.

Nas controversias apresentadas diante do Conselho, esses cinco membros possuem poder de barrar decisões colegiadas de forma unilateral

"Estamos convencidos de que não é o veto em si que deve ser criticado, mas sim a falta de vontade de alguns membros do Conselho em ouvir e considerar as opiniões dos outros", disse o diplomata russo.

Nebenzya completou, ao dizer que a própria existência da ONU depende do poder de veto, exercido durante períodos de conflito. "É difícil imaginar que a ONU, especialmente durante a Guerra Fria ou nos tempos turbulentos atuais, pudesse ter sobrevivido sequer uma década sem esse mecanismo de equilíbrio", disse.

Exemplos de desestabilização

Ao fundamentar a defesa do direito de veto, o diplomata afirmou destacou que "não podemos permitir que a plataforma do Conselho de Segurança da ONU seja usada para tais fins inescrupulosos e abertamente neocoloniais".

Ao citar exemplos históricos, Nebenzya destacou que o país está pronto para utilizar o veto "sem hesitação" para defender o direito internacional e a soberania dos Estados.

O representante russo lembrou da intervenção norte-americana na Líbia em 2011, quando não houve veto, o que, segundo ele, levou à desestabilização do país e de regiões vizinhas.

"Uma operação militar foi realizada e — como agora está absolutamente claro — levou não só ao colapso do Estado líbio, mas também à desestabilização de metade do continente africano". 

Ele também mencionou o bloqueio de uma resolução sobre o Estreito de Ormuz por Rússia e China para evitar uma proposição do Bahrein que legitimaria o uso da força contra o Irã para garantir a abertura da passagem marítma.

Neocolonialismo

Nebenzya prosseguiu com as críticas ao afirmar que "não é segredo que os membros ocidentais do Conselho frequentemente veem suas decisões como um instrumento punitivo contra Estados considerados indesejáveis".

O diplomata acrescentou que "delegações ocidentais frequentemente propõem projetos intrusivos e politizados, repletos de passagens paternalistas, cujo único objetivo é proteger os interesses geopolíticos das antigas metrópoles e impor a outros Estados 'receitas' ocidentais de desenvolvimento".