O momento decisivo do processo eleitoral na Colômbia ocorre neste domingo (21) para definir quem ocupará a presidência da República no período 2026-2030.
Mais de 41,4 milhões de cidadãos estão habilitados a participar do segundo turno das eleições presidenciais, que confronta dois projetos políticos antagônicos.
De um lado, o senador oficialista Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro; e do outro, o advogado conservador Abelardo De La Espriella, que nunca ocupou qualquer cargo mandatário.
O presidente americano Donald Trump, que desde seu retorno à Casa Branca tem apoiado diversos candidatos conservadores em processos eleitorais regionais, expressou publicamente seu apoio "total e completo" a De la Espriella.
Prometendo mão dura e capitalismo sem filtros, De La Espriella também recebeu o respaldo de outras lideranças aliadas a Washington, como o argentino Javier Milei, o equatoriano Daniel Noboa, o hondurenho Nasry Asfura e o paraguaio Santiago Peña.
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A votação iniciou às 8h da manhã (horário local) e se estenderá até as 16h, quando começará o processo de apuração dos votos. Os primeiros resultados preliminares são esperados antes das 17h, menos de uma hora após o fechamento das urnas.
Participação democrática
As autoridades eleitorais e de segurança reportaram normalidade no início do período de votação. O ministro de Defesa, Pedro Sánchez Suárez, confirmou, através do Posto de Comando Unificado, que não houve alterações na ordem pública, apesar (ou por ocasião) do destaque de mais de 7 mil militares para enforçar a segurança dos postos eleitorais.
A Missão de Observação Eleitoral (MOE) destacou a presença de mais de 2 mil observadores monitorando o processo, embora tenha identificado 386 municípios com alertas de risco.
O presidente Gustavo Petro exerceu seu direito ao voto na Praça de Bolívar e declarou estar preparado para iniciar a transição de poder ao vencedor.
"Não ficarei um minuto além do momento em que entregar o cargo", afirmou Petro, reafirmando garantias institucionais durante o processo de votação. Petro também condenou firmemente o apoio internacional oferecido a De la Espriella.
"Quando um país intervém nas decisões de outro país, morre a liberdade. Convido toda a Colômbia a votar em plena liberdade e não nos tornarmos nem escravos nem colônia de ninguém".
O prefeito de Bogotá, Carlos Fernando Galán, fez um apelo contundente aos cidadãos para que votem massivamente e respeitem os resultados eleitorais.
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Pauta da segurança
A eleição representa um divisor de águas na abordagem do conflito armado que assola a Colômbia há décadas.
De la Espriella, empresário milionário e admirador de Trump, prometeu abandonar o plano de "paz total" de Petro — que propõe negociar o desarmamento de todas as organizações criminosas — e retornar ao confronto militar em larga escala contra grupos armados.
O candidato chegou a prometer restaurar o controle estatal sobre territórios dominados por grupos criminosos em 90 dias, declarando sua meta de "capturar ou eliminar" dez líderes principais do narcotráfico e do crime organizado.
Cepeda, por sua vez, é o principal arquiteto do plano de "paz total" e defende sua continuidade com "mudanças necessárias".
Embora tenha liderado as pesquisas durante a maior parte da campanha, foi superado no primeiro turno há três semanas, conquistando 41% dos votos contra 44% de De la Espriella.
Desde então, o senador de esquerda tem enfrentado dificuldades para atrair eleitores centristas. A estratégia de diálogo com grupos armados implementada por Petro em 2022 foi amplamente criticada, conseguindo apenas na quinta-feira passada (19) que um primeiro grupo de dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) — com cerca de 100 membros — entregasse suas armas.