
'Posso provar': Petro denuncia supostas irregularidades em contagem eleitoral

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou em suas redes sociais nesta terça-feira (2) que possui "as bases comprovadas de uma possível fraude" que teria sido cometida na pré-contagem dos votos por meio do software desenvolvido pela empresa Thomas Greg & Sons, envolvida em um escândalo relacionado à licitação para a produção de passaportes.
Segundo o presidente colombiano, o registrador nacional, Hernán Penagos, teria se recusado "de forma permanente a entregar o código-fonte, que era o requisito básico da transparência eleitoral". No entanto, a autoridade nega que tenha ocorrido qualquer irregularidade, segundo a RCN.
Petro sustenta que o software teria sido alterado em duas ocasiões no último dia 26 de maio. "A primeira modificação ocorreu às 13h21min35s e a segunda às 19h21min13s."
De acordo com sua versão, teriam sido realizadas alterações "no cadastro eleitoral e no número de locais e mesas de votação".
Presento las bases comprobadas del posible fraude. Que puedo entregar a autoridad competente.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) June 2, 2026
Dije que no reconocí los datos del preconteo del software de los hermanos Bautista es porque tengo datos.
Mi compromiso con mi pueblo y el amor a mi país por el que he luchado toda mi…
Outras inconsistências
O chefe de Estado colombiano afirma que houve uma alteração no número total de pessoas aptas a votar. Segundo ele, cinco dias antes das eleições, o número de eleitores teria sido modificado pela Thomas Greg & Sons de 41.421.973 para 42.307.373 pessoas. Por isso, sustenta que existe uma diferença de "885.409 novos documentos de identidade que não foram registrados dentro do prazo legal".
Diante dessas acusações, o registrador nacional afirmou que o software de contagem rápida não opera com documentos de identidade e que o número total de eleitores foi consolidado há um mês, razão pela qual não poderia sofrer alterações.
Na mesma linha de denúncias, Petro afirma que "os locais de votação foram alterados, aumentando de 13.742 oficiais para 14.438", uma diferença de 696 locais.
"Posso provar esses fatos"
Entre suas denúncias também está o suposto aumento do número de mesas eleitorais. Segundo sua versão, o total passou de 120.527 para 122.020, "com uma diferença de 1.493 mesas adicionais, que possivelmente não foram apuradas".

Petro também afirma que, na contagem rápida dos votos, "aparecem 5.300 mesas com mais de 300 votos no dia, que é o número máximo que pode ser registrado durante o horário de votação; muitas chegam a 700 votos".
Segundo sua alegação, é nesse ponto que se encontra a vantagem de 635 mil votos pela qual o candidato Abelardo de la Espriella supera o governista Iván Cepeda, motivo pelo qual ele pediu ao registrador que revise essas mesas.
"Posso provar esses fatos perante a autoridade competente", declarou o presidente.
Apesar das denúncias apresentadas por Gustavo Petro, Iván Cepeda reconheceu na segunda-feira (1º) os resultados do primeiro turno das eleições e afirmou que o sistema de verificação ativado por seu partido não encontrou evidências de fraude. Ainda assim, disse que aguardará os resultados oficiais da apuração.
Em julho do ano passado, Petro já havia colocado em dúvida a transparência da atuação da Thomas Greg & Sons no processo eleitoral.
Na ocasião, o presidente acusou a empresa de monopolizar os dados dos cidadãos e de vencer de forma "fraudulenta" todas as licitações para serviços estatais. Essa posição levou à anulação do contrato para a produção de passaportes, desencadeando uma crise interna no governo, com ações judiciais milionárias da companhia e a saída de dois chanceleres.
