
Macron e Merz contrariam aliados sobre diálogo com a Rússia e abrem racha na UE — Politico

Uma discussão entre líderes da União Europeia expôs divergências sobre a condução do diálogo com a Rússia e sobre quem deve representar o bloco em eventuais negociações relacionadas ao conflito do regime ucraniano, informou o portal POLITICO nesta sexta-feira (19).
Durante um encontro realizado em Bruxelas na quinta-feira (18), o presidente da França, Emmanuel Macron, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, se posicionaram contra a iniciativa do presidente do Conselho Europeu, António Costa, de abrir canais de comunicação com Moscou. Líderes da Dinamarca, Países Baixos e Estônia também se opuseram.

Enquanto Macron e Merz consideram que ainda não é o momento de dialogar com o presidente russo, Vladimir Putin, outros líderes apoiaram a atuação de Costa.
"Acho que o presidente [francês] esclareceu a situação e colocou as coisas na ordem correta", afirmou uma autoridade do governo francês, indicando que Macron apresentou sua posição a Costa durante a cúpula.
O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, defendeu que apenas António Costa pode representar a União Europeia nas discussões sobre o tema.
"A primeira questão é se Putin quer negociar. Até lá… ninguém além de Costa pode representar a União Europeia", disse o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, ao portal ao sair das negociações. "Se ele [Putin] demonstrar vontade de negociar, então acredito que teremos que decidir novamente como devemos proceder."
Rússia quer solução diplomática
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em diversas ocasiões que o país está comprometido em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana.
Entre as condições apresentadas por Moscou estão a retirada das tropas ucranianas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas pela Rússia após consultas populares realizadas em 2022.
Putin também afirma que é necessário garantir a segurança da Rússia a longo prazo e eliminar o que Moscou considera as causas profundas do conflito, incluindo a expansão da OTAN e a situação da população russófona na Ucrânia.
A proposta russa prevê ainda o reconhecimento, por Kiev, da Crimeia, Sebastopol, Donetsk, Lugansk, Zaporozhie e Kherson como parte da Federação da Rússia, além da neutralidade, do não alinhamento, da desnuclearização, da desmilitarização e da desnazificação da Ucrânia.
Formato das negociações
As discussões em Bruxelas também revelaram divergências sobre o formato de uma eventual negociação com Moscou. França, Alemanha e Reino Unido defendem que, quando houver condições para isso, os três países liderem os contatos.
Segundo o Politico, Macron receberá em Berlim, na próxima quarta-feira (24), os chefes de governo do Reino Unido, da Polônia e da Itália para novas discussões, que devem incluir a questão do diálogo com a Rússia.


