Durigan diz que Trump busca ajudar família Bolsonaro, mas vê espaço para discutir etanol e big techs

Ministro da Fazenda afirma que Brasil pode negociar questões setoriais com os Estados Unidos, mas ressalta que soberania nacional e Pix não estão em debate.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, em entrevista ao portal Metrópoles nesta quinta-feira (18), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem interesse político em ajudar a família Bolsonaro, mas disse que o governo brasileiro está disposto a discutir temas específicos apontados por Washington como motivo para a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, como o etanol e a regulação das big techs.

"Eu acho que existe um interesse econômico, além do interesse político de ajudar a família Bolsonaro, existem sim preocupações econômicas que me chegam seja de empresas, setores, câmaras de comércio", afirmou.

Ele acrescentou que não faz sentido atribuir problemas ao país como um todo ou alegar perseguição política por parte do Judiciário brasileiro.

Tarifas em negociação com os EUA

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) recomendou a adoção de tarifas com base em suspeitas de práticas desleais e em falhas para impedir a importação de produtos produzidos com trabalho forçado.

Somadas, as medidas podem elevar em 37,5% o custo das exportações brasileiras para o mercado americano.

Durigan afirmou que o Brasil continuará tratando do tema por meio da diplomacia e de argumentos técnicos. Ele ressaltou, porém, que há limites para as negociações, citando o Pix e a soberania nacional no combate ao crime organizado como assuntos que não estão em discussão.

Combate ao crime organizado

Na entrevista ao Metrópoles, o ministro também comentou declarações de Trump sobre o Brasil e a classificação das facções Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas. Na quarta-feira (17), o presidente americano afirmou que o país "tem sido um pouco perigoso politicamente".

Em resposta, Durigan disse ao Metrópoles que "são os policiais brasileiros que têm que dar conta do crime que acontece no Brasil" e afirmou que informações sobre organizações criminosas devem ser encaminhadas às instituições brasileiras pelos canais oficiais.

O ministro também criticou possíveis interferências externas no processo político brasileiro.

"Você não pode ter interferência externa no processo eleitoral brasileiro, são as forças brasileiras, o empresariado, a população e os trabalhadores que vão definir", declarou. Segundo ele, pedidos feitos nos Estados Unidos para alterar o cenário político brasileiro são "bastante indevidos".