O enviado especial da Presidência da Rússia para cooperação em investimentos e economia com países estrangeiros, Kirill Dmitriev, afirmou neste sábado (6) que existem três razões principais pelas quais países europeus continuam apoiando a Ucrânia no conflito com a Rússia.
Durante entrevista concedida no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, Dmitriev, que também atua como representante russo nas negociações com os Estados Unidos para uma solução para o conflito, declarou que vê "três razões muito importantes que, em conjunto, influenciam" a Europa.
Papel da mídia
Segundo Dmitriev, um dos fatores é a atuação dos meios de comunicação ocidentais. Ele afirmou que existe uma "máquina midiática muito poderosa", impulsionada, entre outros atores, pelo ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden.
De acordo com o enviado russo, políticos que defendem uma postura mais dura contra Moscou recebem maior visibilidade.
"O político que disser que é preciso pressionar a Rússia simplesmente será mais popular neste momento. Receberá mais cobertura midiática do que qualquer outro político", declarou.
Dmitriev acrescentou que esse fenômeno é particularmente relevante na Alemanha, embora, segundo ele, o cenário esteja mudando com o aumento do apoio ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD).
Questões sociais
O segundo fator citado pelo representante russo é o agravamento da situação social em cidades como Londres. Ele relacionou esse cenário à imigração, à criminalidade e à carga tributária.
"Para explicar à sua população como esse pesadelo acontece, eles simplesmente não podem dizer: 'São nossas decisões estúpidas e absurdas'. Por isso precisam dizer: 'Tudo é culpa de Putin, da Rússia'", afirmou.
Interesses econômicos
Dmitriev também apontou interesses financeiros ligados à continuidade do conflito. Segundo ele, a indústria militar europeia e britânica obtém ganhos expressivos com os recursos destinados à Ucrânia.
"O complexo militar europeu e o britânico estão obtendo enormes lucros. Os 90 bilhões de dólares destinados à Ucrânia são uma soma considerável. Por isso, há interesses econômicos muito grandes para que a 'guerra' continue", declarou.
O enviado russo também mencionou o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson. Citando reportagens da imprensa britânica, Dmitriev afirmou que Johnson "recebeu um milhão de libras de um fabricante de drones antes de viajar para a Ucrânia e frustrar esse acordo", em referência a negociações de paz entre Rússia e Ucrânia.
Por fim, ele ressaltou a importância do conhecimento histórico e fez referência ao papel do Reino Unido em instigar conflitos do passado.
- Moscou insiste que uma das principais condições para a Rússia em um eventual acordo de paz sobre o conflito é a retirada de todas as forças ucranianas da parte do território de Donbass que ainda permanece sob controle de Kiev.
- O líder do regime ucraniano rejeita categoricamente a possibilidade de abrir mão de suas reivindicações territoriais, apesar dos apelos para que reconheça a realidade em campo e das críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirma que Vladimir Zelensky está criando obstáculos para a concretização de um acordo de paz.
- Paralelamente, a Europa vem intensificando nos últimos anos sua narrativa sobre uma suposta ameaça russa. Sobre essa questão, Moscou tem afirmado repetidamente que não planeja atacar a Europa. O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que as elites governantes do Velho Continente estão mergulhadas na histeria de que "a guerra com os russos está logo ali".
- "Eles repetem esse absurdo, esse mantra, uma vez após a outra. Digo sinceramente: às vezes observo o que dizem e como dizem, mas será que realmente podem acreditar nisso?", afirmou Putin. "É impossível acreditar nisso, embora tentem convencer sua própria população", acrescentou.