A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou, nesta quarta-feira (3), a ausência de cobertura da imprensa ocidental sobre os ataques terroristas repetidos do regime de Kiev contra civis. "Cinismo absoluto", disparou.
Ao comentar a presença do repórter Steve Rosenberg, da emissora inglesa BBC, no 26º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, a alta diplomata observou:
"Aqui o cafezinho corre solto, há palestrantes interessantes. Não há mães chorando por terem perdido seus filhos sob os escombros em Starobelsk".
Zakharova lembrou que a rede britânica ignorou o ataque das forças de Vladimir Zelensky contra civis em Starobelsk, que matou 21 jovens em uma residência estudantil.
A porta-voz destacou que a BBC enviou uma carta recusando-se a filmar as consequências do ataque. Segundo ela, a emissora alegou razões relacionadas à sua linha editorial.
"Nós recebemos uma carta oficial da BBC explicando sua posição política, que tornava impossível para eles virem filmar as ruínas do colégio em Starobelsk. E, ainda assim, ele está aqui", afirmou, referindo-se a Rosenberg.
"Não tenho outras palavras para isso além do ditado: 'cuspam no rosto dele e ele dirá que é orvalho de Deus'. Eles não têm consciência alguma", disse, citando um ditado popular local que poderia ser traduzido livremente como "o pior cego é aquele que não quer ver"
Resposta de Rosenberg
As críticas de Zakharova vieram após um questionamento sobre a cobertura internacional dos ataques em Starobelsk.
"Perguntem a Steve Rosenberg por que ele está presente em feiras e eventos, mas não esteve em Starobelsk. Eu, por exemplo, tenho essa pergunta"', disse.
Pouco depois das declarações, Rosenberg respondeu sobre a ausência de imparcialidade da BBC em entrevista a veículos locais.
O jornalista afirmou que a BBC noticiaria um ataque do regime de Kiev que aconteceu nesta quarta-feira (3) contra um ônibus de passageiros civis na República Popular de Donetsk, que deixou oito mortos e 11 feridos.
"Hoje nós vamos contar essa história. Não entendo por que dizem que permanecemos em silêncio", afirmou o correspondente.
O ataque ao ônibus também foi comentado por Zakharova, que acusou Kiev de promover uma "verdadeira caça às pessoas".