Notícias

Irmão de Bolsonaro justifica entrada na política: 'fazer justiça com os injustiçados'

Renato Bolsonaro, pré-candidato a deputado federal pelo PL em São Paulo, afirma que convite partiu de Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto. Segundo ele, seu foco político é nos condenados pelos atos do 8 de janeiro.
Irmão de Bolsonaro justifica entrada na política: 'fazer justiça com os injustiçados'Reprodução/Redes sociais

O empresário e capitão reformado do Exército, Renato Bolsonaro, anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pelo Partido Liberal (PL) de São Paulo. Em entrevista à Rádio Auri Verde Brasil nesta sexta-feira (5), ele afirmou que a decisão atende a um convite direto do irmão, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.

Aposta da legenda para as eleições de 2026, Renato coloca a defesa dos presos nos atos de 8 de janeiro como o eixo de sua campanha.

"Não me imaginava na política. Sou agricultor. Isso é pelo que ele [Bolsonaro] está vivendo", afirmou Renato durante a entrevista. Para o pré-candidato, o objetivo de entrar na disputa é "honrar o nome" do irmão e "fazer justiça com os injustiçados, especialmente no que se refere ao 8/1".

Ao avaliar o cenário político atual, ele declarou que "a crise é de homens" e destacou o que considera como "um peso" em sua candidatura.

"É uma responsabilidade muito grande. As pessoas acreditam no nome Bolsonaro. Sou imão do Jair Bolsonaro e tio do Flávio Bolsonaro, então tem muita responsabilidade nisso", relatou.

Comunicação restrita

Apesar de justificar a candidatura com base na situação do irmão, Renato revelou que não tem contato direto com Jair Bolsonaro.

"Sempre converso com a [ex-primeira-dama] Michelle [Bolsonaro], e é só com ela. Não posso nem mandar mensagem para o meu irmão, mas ele tem tido uma estabilidade boa na saúde", disse.

O ex-presidente encontra-se em prisão domiciliar desde o final de março, cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado. O benefício ocorreu após Jair Bolsonaro apresentar um quadro de infecção bacteriana decorrente do agravamento de uma broncopneumonia, condição na qual o líquido do estômago alcança os pulmões, o que exigiu internação na época.

Defesa de Flávio Bolsonaro

Na entrevista, Renato defendeu a recente viagem de seu sobrinho, o senador Flávio Bolsonaro, aos Estados Unidos. Segundo ele, o parlamentar manteve contatos com autoridades americanas, entre elas o secretário de Estado Marco Rubio, para defender a designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por Washington. A iniciativa foi bem-sucedida.

O governo brasileiro compreendeu o ato como uma ameaça à soberania nacional. O episódio ocorre no momento em que os EUA concluem que o Brasil falhou em proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado e propõem uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.

Para Renato, a atitude do sobrinho foi correta.

"Flávio Bolsonaro não fez nada de errado. Errado é quem está aqui no nosso governo e não se preocupa com a nossa soberania", criticou.

Em seguida, Renato questionou a capacidade do Exército brasileiro: "E as nossas Forças Armadas? Não tem equipamento, nem consegue decretar uma GLO [Garantia da Lei e da Ordem]".

Nove derrotas eleitorais

Conhecido por sua semelhança física com o ex-presidente e pelo alinhamento ao bolsonarismo, Renato assume a missão de representar o sobrenome da família nas urnas paulistas diante da ausência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente vive nos Estados Unidos.

Sua trajetória política, no entanto, é marcada por revezes. De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, Renato disputou ao menos nove eleições, incluindo tentativas para a prefeitura de Miracatu e de Registro, onde ficou em segundo lugar no pleito de 2024. Sua única vitória eleitoral ocorreu em 1996, como vereador em Praia Grande.

Com um patrimônio declarado de R$ 3,2 milhões em 2024, Renato ganhou projeção regional durante o governo federal do irmão, atuando como chefe de gabinete em Miracatu e articulador político para a liberação de recursos na região.

Na Justiça, ele acumula uma condenação eleitoral recente por propaganda negativa e um caso arquivado em 2016, quando o Ministério Público aceitou as explicações de sua defesa contra a acusação de ser funcionário fantasma na Assembleia Legislativa de São Paulo.