
'Lamentável e absurda': Brasil rejeita acusação dos EUA de trabalho forçado

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil classificou, nesta quarta-feira (3), como "absurda e lamentável" a decisão do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de recomendar tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre produtos brasileiros.
Entre as justificativas apresentadas por Washington está a suposta existência de falhas no combate ao comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Em nota divulgada pela Agência Brasil, o Itamaraty criticou a medida e afirmou que os Estados Unidos estão desvirtuando uma questão social relevante para impor barreiras comerciais.
Medidas protecionistas
"É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais", declarou o governo brasileiro.
O texto também classificou como "absurda" qualquer tentativa de associar a competitividade da economia brasileira ao uso de benefícios obtidos por meio de práticas que violem a dignidade humana.
O governo destacou que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece o Brasil há décadas como referência internacional no combate ao trabalho forçado.
Lei da Reciprocidade
A nota também menciona a possibilidade de o Brasil recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025, para responder a eventuais barreiras comerciais.
"O Brasil adotará medidas para reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros", afirma o documento.
Ao final do comunicado, o governo afirmou esperar "que as recomendações preliminares do USTR não se convertam em tarifas efetivas".
