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'Lamentável e absurda': Brasil rejeita acusação dos EUA de trabalho forçado

Ao responder as acusações norte-americanas, o governo brasileiro subiu o tom e sinalizou medidas de retaliação caso tarifas saiam do papel.
'Lamentável e absurda': Brasil rejeita acusação dos EUA de trabalho forçadoRicardo Stuckert/PR

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil classificou, nesta quarta-feira (3), como "absurda e lamentável" a decisão do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de recomendar tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre produtos brasileiros.

Entre as justificativas apresentadas por Washington está a suposta existência de falhas no combate ao comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Em nota divulgada pela Agência Brasil, o Itamaraty criticou a medida e afirmou que os Estados Unidos estão desvirtuando uma questão social relevante para impor barreiras comerciais.

Medidas protecionistas

lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais", declarou o governo brasileiro.

O texto também classificou como "absurda" qualquer tentativa de associar a competitividade da economia brasileira ao uso de benefícios obtidos por meio de práticas que violem a dignidade humana.

O governo destacou que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece o Brasil há décadas como referência internacional no combate ao trabalho forçado.

Lei da Reciprocidade

A nota também menciona a possibilidade de o Brasil recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025, para responder a eventuais barreiras comerciais.

"O Brasil adotará medidas para reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros", afirma o documento.

Ao final do comunicado, o governo afirmou esperar "que as recomendações preliminares do USTR não se convertam em tarifas efetivas".