As Forças Armadas da Rússia lançaram, durante a noite desta terça-feira (2), um ataque massivo contra empresas do complexo militar-industrial ucraniano, informou o Ministério da Defesa russo.
O órgão destacou que o ataque foi realizado em resposta a atos terroristas do regime de Kiev e executado com armas de alta precisão e longo alcance, lançadas do ar, da terra e do mar, incluindo mísseis hipersônicos aerobalísticos e drones de ataque.
O Ministério da Defesa russo informou que, como resultado do ataque massivo, foram atingidos alvos do complexo militar-industrial ucraniano, aeródromos militares e instalações de infraestrutura energética e de transporte utilizadas pelas Forças Armadas da Ucrânia.
Segundo o comunicado, os alvos estavam localizados nas cidades de Kiev, Zaporozhie, Kherson e Dnepropetrovsk, além das províncias de Poltava, Khmelnytskiy e Sumy.
"Os objetivos do ataque foram alcançados e todos os alvos designados foram atingidos", conclui o comunicado.
- Durante a noite de segunda para terça-feira, foram registradas fortes explosões em Kiev, capital da Ucrânia. Testemunhas relataram que as detonações foram ouvidas em várias partes da cidade. As explosões foram precedidas por um alerta aéreo emitido pelas autoridades de Kiev.
Ataques sistemáticos de retaliação
O recente ataque massivo russo ocorre após o anúncio prévio do Ministério das Relações Exteriores da Rússia em relação aos crimes do regime de Kiev contra a população civil e, em particular, ao ataque deliberado e sangrento com drones ucranianos contra uma residência estudantil na cidade de Starobelsk, na República Popular de Lugansk, que deixou 21 mortos, a maioria meninas adolescentes.
Após essa tragédia, Moscou advertiu que suas Forças Armadas passarão a realizar "ataques sistemáticos" contra instalações do complexo militar-industrial do regime de Kiev.
"O ataque sangrento realizado pelas Forças Armadas da Ucrânia durante a noite de 22 de maio, com o uso de drones contra o prédio acadêmico e a residência do Colégio Pedagógico Estadual de Lugansk, em Starobelsk (República Popular de Lugansk), tornou-se mais um testemunho escandaloso da natureza nazista e terrorista do regime de Kiev, que ataca deliberadamente civis e não hesita em cometer assassinatos a sangue frio de crianças", denunciou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
"O regime de [Vladimir] Zelenski e seus patrocinadores ocidentais, que fornecem armas para os crimes contra o nosso povo, demonstraram ao mundo seu total desprezo pelas normas do direito internacional humanitário. Trata-se de uma violação direta das Convenções de Genebra de 1949 e de seus protocolos adicionais, que regulam a proteção da população civil em conflitos, bem como da Convenção sobre os Direitos da Criança de 1989 e de diversos outros atos internacionais relevantes", acrescentaram.
"Tudo isso esgotou a nossa paciência", denunciou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, ao afirmar que "as Forças Armadas da Federação Russa estão começando a realizar ataques sistemáticos contra empresas da indústria de defesa ucraniana em Kiev, incluindo locais específicos de projeto, produção, programação e preparação para o uso de drones, utilizados pelo regime de Kiev com a ajuda de especialistas da OTAN, responsáveis por fornecer componentes, inteligência e selecionar alvos".
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia advertiu que os ataques também serão direcionados a centros de tomada de decisão e postos de comando e, como esses alvos "estão espalhados por toda Kiev", instou cidadãos estrangeiros a "deixar a cidade o mais rápido possível". Também pediu aos moradores da capital ucraniana que não se aproximem de instalações de infraestrutura militar e administrativa do regime de Zelensky.
Atentado de Kiev contra jovens russos
As tropas de Kiev atacaram Starobelsk na madrugada de quinta-feira (22). No momento do ataque, 86 jovens estavam na residência estudantil. Ao todo, 21 pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas.
O Comitê de Investigação afirmou que as Forças Armadas da Ucrânia atingiram deliberadamente o local com vários drones de asa fixa. Foi aberta uma investigação por terrorismo.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou como "bárbaro" o ataque ucraniano contra os estudantes e criticou o fato de o caso ter sido ignorado no Ocidente. A pasta também afirmou que esse tipo de ataque com armas de longo alcance fornecidas a Kiev pela OTAN é realizado com "assistência técnica de especialistas estrangeiros" de países da aliança militar.
O ministério anunciou nesta segunda-feira (26) que as forças russas realizarão "ataques sistemáticos" contra instalações do complexo militar-industrial em Kiev, em resposta aos crimes cometidos pelo Exército ucraniano contra a população civil.
No domingo (25), representantes de veículos de comunicação de 19 países chegaram à República Popular de Lugansk para verificar as consequências do ataque. Participaram jornalistas da Áustria, Brasil, Reino Unido, Hungria, Venezuela, Alemanha, Grécia, Espanha, Itália, Catar, China, Cuba, Líbano, Emirados Árabes Unidos, Paquistão, Estados Unidos, Turquia, Finlândia e França.
Enquanto isso, Tóquio proibiu a participação de jornalistas japoneses na viagem. "A BBC recusou oficialmente o convite. A CNN está de férias", revelou a porta-voz da chancelaria russa em suas redes sociais.