México expulsa dois agentes da CIA que operaram sem permissão

Claudia Sheinbaum afirmou que os agentes atuaram sem autorização federal em Chihuahua. "Foi solicitado à embaixada que eles deixassem o país, e eles saíram", declarou a presidente.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, revelou nesta quarta-feira (27) que pediu aos EUA a retirada de dois agentes da Agência Central de Inteligência (CIA) que participaram ilegalmente de uma operação contra o narcotráfico em território mexicano.

"Foi solicitado à embaixada, por meio de uma nota, que eles deixassem o país, e eles saíram", disse a presidente durante uma coletiva de imprensa, na qual confirmou que quatro agentes, e não dois como se acreditava inicialmente, participaram do desmantelamento de um laboratório de drogas sintéticas realizado em 19 de abril no estado de Chihuahua.

A operação desencadeou um escândalo e um conflito bilateral entre México e EUA, já que agentes estrangeiros estão proibidos de realizar operações em campo sem autorização do governo federal. No entanto, sua presença foi autorizada, também de forma ilegal, pelo governo de Chihuahua, liderado por Maru Campos, política de oposição a Sheinbaum e atualmente investigada judicialmente pelo caso.

A presença dos agentes da CIA foi descoberta de forma acidental, já que, após a operação antidrogas, dois deles morreram em um acidente automobilístico. Tanto as autoridades de Chihuahua quanto a embaixada dos EUA no México tiveram então que informar que eles estavam no país e haviam participado da operação, algo que não foi consultado com o governo federal.

"Eram quatro, dois morreram e dois não tinham credenciamento, então pedimos que deixassem o país", reiterou Sheinbaum, explicando que os policiais americanos entraram legalmente no México com passaportes válidos, que comprovavam sua condição de representantes diplomáticos ou turistas, mas não autorização para realizar tarefas de espionagem.

"Existe um procedimento ou protocolo para que, por meio da Secretaria de Relações Exteriores e do gabinete de Segurança, seja aprovada sua licença ou permanência para realizar trabalhos de inteligência, mas eles não se registraram (...) foi solicitado que se registrassem ou deixassem o país, e em um diálogo entre a embaixada dos Estados Unidos e a Secretaria de Relações Exteriores decidiram que o melhor seria se retirar", afirmou.