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Presença da CIA no México indica pressão de Trump? Sheinbaum responde

Governo mexicano enviou uma carta de "estranhamento" à embaixada dos EUA pela participação de agentes em operação antidrogas em Chihuahua.
Presença da CIA no México indica pressão de Trump? Sheinbaum respondeJohana Remigio / ObturadorMX / Andrew Harnik / Gettyimages.ru

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, descartou, nesta quarta-feira (22), que a presença inesperada de dois agentes da CIA em uma operação realizada no norte do país possua relação com algum tipo de pressão exercida pelo governo dos EUA, liderado por Donald Trump.

"Não concordamos com isso, temos muita comunicação com o governo dos Estados Unidos em várias áreas e, particularmente, na área de segurança. Há um marco de entendimento, há reuniões mensais sobre esses temas, há muita comunicação", afirmou a mandatária em coletiva de imprensa.

A fala de Sheinbaum veio após controvérsia provocada pela revelação de que agentes americanos morreram em um acidente após participarem do desmantelamento de um laboratório de drogas em Chihuahua.

Mesmo a realização de uma operação do tipo seria ilegal, já que agentes estrangeiros não podem realizar este tipo de procedimentos em território nacional mexicano.

Nesse sentido, uma jornalista questionou Sheinbaum sobre uma reportagem do jornal The Washington Post. Segundo a matéria, o caso teria relação com uma "crescente pressão" de Donald Trump para que o México adote mais medidas contra os cartéis, enquanto a CIA amplia operações antidrogas no país e no restante da América Latina.

No entanto, Sheinbaum afirmou que ambos os governos mantêm colaboração, o que tem permitido o intercâmbio de informações que resulta em operações bem-sucedidas e na extradição de narcotraficantes para os EUA.

E a soberania?

A presidente mexicana também advertiu que as colaborações acontecem observando o respeito à soberania nacional e à integridade territorial, o que não ocorreu neste caso, já que o governo do México desconhecia a presença de agentes da CIA em Chihuahua.

Sheinbaum revelou que a Secretaria de Relações Exteriores enviou uma carta à embaixada dos EUA no México para manifestar "estranhamento" e solicitar explicações sobre o ocorrido, incluindo quem eram os agentes, o que faziam e quando entraram no país.

"Não fomos informados da participação dessas pessoas, não aceitamos participação em campo em operações, isso foi deixado muito claro ao governo dos Estados Unidos. Isso precisa ser esclarecido (...), não faz parte do protocolo de segurança que acordamos, do entendimento que temos com eles. É uma questão de segurança nacional e soberania, por isso não é um tema menor", afirmou.