'Decadência moral': Rússia chama atenção para cinismo ocidental após ataque ucraniano contra estudantes

"Não, não temos vergonha", disseram os representantes ocidentais no Conselho de Segurança da ONU ao negar e justificar o ataque ucraniano a um dormitório estudantil na cidade de Starobelsk.

O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, destacou em uma coletiva de imprensa na terça-feira (26), o cinismo do Ocidente após o ataque do regime de Kiev contra um dormitório estudantil em Starobelsk, na República Popular de Lugansk, que já causou a morte de 21 pessoas.

O diplomata indicou que "o nível de cinismo entre algumas delegações ocidentais é simplesmente desmedido", comentando assim as afirmações dos representantes ocidentais no Conselho de Segurança da ONU que tentam justificar o ataque terrorista do regime de Kiev.

"A representante permanente da Dinamarca declarou que lhe é difícil comentar as declarações da Federação da Rússia até que sejam verificadas por especialistas independentes, e acrescentou que, ao contrário da Ucrânia, na Rússia e nos territórios ocupados não existem meios de comunicação livres. Ao perguntarmos se não lhes causava vergonha fazer tais declarações, recebemos uma resposta que demonstra claramente a decadência moral da diplomacia europeia: 'Não, não nos causa vergonha'", afirmou.

Nebenzia lembrou que a declaração da representante permanente da Letônia "foi ainda mais longe", pois "classificou o ataque à faculdade como uma 'provocação e manobra do Kremlin', colocando em dúvida a existência do dormitório estudantil destruído, negando as mortes e os ferimentos dos estudantes e ignorando os trabalhos de resgate em andamento e a dor das famílias".

O atentado de Kiev contra estudantes russos

Na madrugada de quinta-feira (22), as Forças Armadas do regime ucraniano bombardearam com drones um edifício e uma residência estudantil. No momento do ataque, 86 jovens estavam no local. Ao menos 21 pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas.

O Comitê de Investigação afirmou que as forças ucranianas atacaram deliberadamente o local com vários drones do tipo avião. Foi aberta uma investigação por terrorismo.

A Chancelaria russa classificou o ataque ucraniano contra os estudantes como "bárbaro" e denunciou o silêncio do Ocidente sobre o caso. A pasta também afirmou que esse tipo de ataque com armas de longo alcance fornecidas a Kiev pela OTAN é realizado com "assistência técnica de especialistas estrangeiros" de países do bloco militar.

Além disso, o Ministério das Relações Exteriores anunciou na segunda-feira (25) que as forças russas executarão "ataques sistemáticos" contra instalações do complexo militar-industrial em Kiev, em resposta aos crimes do Exército do regime ucraniano contra a população civil.

No domingo (24), chegaram à República Popular de Lugansk representantes de meios de comunicação de 19 países: Alemanha, Áustria, Brasil, Catar, China, Cuba, Emirados Árabes Unidos, Espanha, EUA, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Itália, Líbano, Paquistão, Reino Unido, Turquia e Venezuela.

Tóquio proibiu a participação de jornalistas japoneses na viagem. "A BBC recusou oficialmente o convite. A CNN está de férias", revelou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia em suas redes sociais.