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Jogados para escanteio: Israel fica à margem de negociações entre EUA e Irã — NY Times

Após liderar discussões militares com Trump, Netanyahu enfrenta marginalização nas negociações de paz, dependendo de fontes regionais e vigilância própria para acompanhar diálogos.
Jogados para escanteio: Israel fica à margem de negociações entre EUA e Irã — NY TimesGettyimages.ru / Andrew Harnik / Staff

O governo americano de Donald Trump afastou Israel das negociações de cessar-fogo com o Irã, chegando ao ponto em que os líderes israelenses teriam sido praticamente excluídos do circuito de informaçõesapontou neste sábado (23) o jornal americano The New York Times, citando dois oficiais da defesa israelense.

Inicialmente protagonista nas discussões sobre o ataque conjunto a Irã em 28 de fevereiro, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu se encontrava na Sala de Situação presidencial ao lado de Donald Trump, conduzindo discussões e projetando que a ofensiva planejava colapsar o Irã. Contudo, semanas após previsões grandiloquentes se mostrarem um fiasco, a realidade se transformou drasticamente.

Privado de informações pelo seu aliado mais próximo, o governo israelense busca reconstituir fragmentos das tratativas de encerramento do conflito, segundo as fontes da reportagem. As autoridades de Israel recorreriam a conexões com autoridades e diplomatas regionais, além de utilizar sua própria vigilância infiltrada no governo iraniano.

Ostracizado?

Este rebaixamento à classe econômica implica em consequências potencialmente graves para o país e, especialmente para Netanyahu.

O premiê de Israel comercializou durante anos sua imagem como intérprete privilegiado de Trump, supostamente capaz de conquistar e preservar o apoio presidencial, assegurando à população israelense em discurso televisionado no início da campanha militar que conversava com o presidente americano "quase diariamente", trocando ideias e "decidindo juntos".

Netanyahu havia conduzido Israel à guerra em fevereiro almejando objetivos grandiosos que perseguia há décadas: interromper definitivamente o programa nuclear iraniano, eliminar seu arsenal de mísseis e, possivelmente, promover uma mudança de regime em Teerã. Contudo, nenhuma dessas metas foi concretizada.

Atualmente, ele enfrenta uma árdua batalha pela reeleição neste ano, que atravessa a polêmica internacional e doméstica com o ministro da Defesa, Itamar Ben-Gvir, seu processo criminal de crimes de corrupção e a aprovação preliminar da dissolução do Knesset, o parlamento israelense.

Agressão ao Irã

  • O presidente dos EUA, Donald Trump, frequentemente faz ameaças beligerantes contra o Irã. A retórica de guerra inclui apelos explícitos para bombardear o país, fazê-lo retroceder "à Idade da Pedra", destruir suas infraestruturas energéticas, econômicas e industriais, atacar cientistas nucleares e altos oficiais, ou até mesmo "destruir a civilização iraniana".
  • Embora os quase 40 dias de intensas hostilidades tenham terminado em 7 de abril com uma trégua entre EUA e Irã, as tensões permanecem entre as duas partes devido ao fracasso das negociações de paz, à troca de ataques verbais e ao bloqueio naval mútuo de navios comerciais no golfo Pérsico e no mar Arábico.
  • O governo dos EUAcontinua falando sobre uma possível retomada dos ataques, enquanto o Irã afirma estar pronto para se defender e "apertar o gatilho".
  • EUA e Irã trocam propostas para encerrar o conflito. Até o momento, porém, as negociações não deram resultados, já que as partes não conseguem chegar a um acordo sobre pontos-chave, como o enriquecimento de urânio.
  • A agência iraniana de notícias Tasnim informou na quarta-feira (20) que Washington enviou ao Irã um texto com uma nova proposta de paz.