Notícias

UE considera impor sanções contra ministro israelense por humilhar ativistas pró-palestinos

Os eurodeputados descreveram o comportamento do alto funcionário Israelense como "desprezível" e enfatizaram que o que aconteceu não é um caso isolado.
UE considera impor sanções contra ministro israelense por humilhar ativistas pró-palestinosLegion-Media / Jamal Awad

Um número crescente de países europeus está pedindo sanções contra o Ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, após a divulgação de um vídeo em que ele aparece zombando de ativistas detidos da flotilha Sumud Global, informou o jornal Politico na quinta-feira (21).

Os participantes da flotilha, que se deslocavam em direção à Faiza de Gaza, em busca de romper o bloqueio israelense e oferecer ajuda humanitária à população palestina, foram detidos em em águas internacionais. Suas embarcações foram interceptadas em Ashdod, na costa do Chipre.

O processo de triagem dos ativistas foi gravado e publicado nas redes oficiais do ministro Ben-Gvir, demonstrando a abordagem deliberadamente vexatória e humilhante das forças de segurança, enquadrada pelo oficial israelense com tom positivo de superioridade e zombaria. A publicação provocou rechaço internacional.

O veículo especifica que Itália, Espanha, Suécia e Polônia lideram a iniciativa. O Chanceler italiano, Antonio Tajani, pediu formalmente à chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que inclua sanções na agenda da próxima reunião dos chanceleres do bloco.

Por sua vez, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, cujo país havia proibido a entrada de Ben-Gvir na Espanha no ano passado, anunciou que Madri "vai pressionar Bruxelas" estender as medidas a nível europeu "com urgência". 

Ao mesmo tempo, 29 eurodeputados assinaram uma carta em Estrasburgo (França) na quinta-feira pedindo sanções da UE contra o ministro israelense. No documento, os parlamentares chamaram o comportamento de Ben-Gvir de "desprezível".

Eles também alegam que o que aconteceu não é um caso isolado, mas parte de "um projeto político sistemático que devastou a Faixa de Gaza", que transforma "a impunidade absoluta em um sistema de governo".

Incerteza na UE

Entretanto, o Político indica que a iniciativa pode enfrentar obstáculos dentro da UE, dado que a República Tcheca prometeu bloquear quaisquer sanções contra ministros israelenses e insistiu que não apoiará "mais sanções comerciais" contra Tel Aviv. A Alemanha, que até agora se opunha a tais medidas punitivas, pode estar reconsiderando sua postura, segundo fontes citadas pelo veículo.

Diante dessa incerteza, diplomatas discutem reservadamente se tais medidas exigiriam unanimidade ou poderiam ser aprovadas por maioria qualificada.